sábado, dezembro 03, 2011

Dilma e os militares....

Foto inédita mostra Dilma em interrogatório em 1970
A vida quer coragem (Editora Primeiro Plano), do jornalista Ricardo Amaral, chega às livrarias na primeira quinzena de dezembro. A foto abaixo, inédita, está no livro que conta a trajetória de Dilma Rousseff da guerrilha ao Planalto. Amaral, que foi assessor da Casa Civil e da campanha presidencial, desencavou a imagem no processo contra Dilma na Justiça Militar. A foto foi tirada em novembro de 1970, quando a hoje presidente da República tinha 22 anos. Após 22 dias de tortura, ela respondia a um interrogatório na sede da Auditoria Militar do
Rio de Janeiro.
http://www.youtube.com/watch?v=s6ZnnaCxAhg&feature=player_embedded

Lô - Horizonte Vertical
Novo disco!!!

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Cruzada do Papa Inocêncio III - 1215

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-ultima-sessao-do-iv-concilio-de-latrao#more


A última sessão do IV Concílio de Latrão

Do Opera Mundi

Hoje na História: 1215 - Papa Inocêncio III pede nova cruzada e intensifica perseguição aos hereges

Com o fim do IV Concílio, aumentou a repressão a grupos opositores de Roma 
p>O papa Inocêncio III preside a última sessão do IV Concílio de Latrão em 30 de novembro de 1215. Este novo concílio ecumênico foi o quarto a ter lugar no palácio romano de Latrão. Resultou na condenação dos cátares e dos valdenses; na proibição de criar novas ordens religiosas; na manutenção da discriminação contra os judeus; na aparição do termo “transubstanciação”. De resto, o papa apela por uma nova cruzada. Todavia, seria seu sucessor, o papa Honório III quem a organizaria dois anos depois e que acabaria em fracasso.
Até 1184, a ação de reprimir a heresia na Itália era problema dos bispos nas áreas afetadas. O III Concílio de Latrão (1179), que discutira a incidência da heresia, dirigiu sua atenção parao sul da França. No entanto, em 1184, o papa Lúcio III e o imperador Frederico Barba Ruiva encontram-se em Verona e juntos condenam os cátares, patarinos, valdenses, humiliates, os Pobres de Lyon e outras seitas.  
Foi Inocêncio III (1198-1216) quem pressionou para que a ação papal tivesse maior âmbito. Enviou uma torrente de cartas sobre heresia aos arcebispos e bispos e aos governantes seculares. Ele via a reforma da Igreja como necessidade básica. Em 1215, o IV Concílio de Latrão reafirmou a legislação pontifical ainda em vigor.
Em seu primeiro cânone, o concílio aprovou a doutrina baseadanas tradicionais profissões de fé, que foi porém emendada para contemplar as presentes heresias. O terceiro cânone especificou os procedimentos contra os heréticos, Outros cânones tocaram no tema da heresia de várias formas.
Por ocasião da morte de Inocêncio a Igreja já mobilizava suas forças contra a heresia, faltando apenas a Inquisição papal, para o que os precedentes já estavam estabelecidos.
Seria excomungada e anatematizada toda heresia que se levantasse contra a sagrada, ortodoxa e católica fé. Seriam condenados todos os hereges, fosse quem fosse. “Ele têm distintas faces, mas suas caudas estão atadas juntas na medida em que se parecem em sua arrogância. Que esses condenados sejam levados às autoridades seculares para a devida punição.”
Se fossem clérigos seriam primeiramente privados de suas ordens. Os bens do condenado seriam confiscados se foremlaicos e, se clérigos, seriam aplicadas as leis da ordem da qual recebiam o estipêndio. Aqueles que fossem apenas suspeitos de heresia seriam tocados pela espada do anátema, a menos que provassem sua inocência por uma apropriada purgação, levando-se em conta as razões da suspeita e o caráter da pessoa. Se a excomunhão persistisse por um ano seriam condenados como hereges.
Se um senhor temporal, demandado e instruído pela Igreja, negligenciasse em depurar seu território dessa "imundície herética", estaria sujeito à excomunhão. Se se recusasse a dar satisfação dentro de um ano, a questão será levada ao supremo pontífice que poderá declarar seus vassalos livres de prestar-lhe lealdade e tornar a terra, após a expulsão dos hereges, disponível para ocupação pelos católicos.
Também estavam sujeitos à excomunhão os crentes que homiziassem, defendessem ou apoiassem os hereges. Qualquer pessoa que, após ter sido indicada como excomungada, se recusasse a prestar satisfação dentro de um ano, seria acoimado de infame e não poderia ser admitido em órgãos públicos, nem escolher outros para a mesma função ou prestar testemunho. Não teria a liberdade de manifestar a última vontade nem de receber herança.
Se fosse um juiz, suas sentenças não teriam vigência e casos não poderiam ser levados ao seu julgamento; se advogado, não lhe seria permitido defender ninguém; se notário, os documentos por ele autenticados não teriam valor algum; se clérigo, que fosse destituído de qualquer função ou benefício.

sexta-feira, novembro 11, 2011

Estudantes na USP


Ocupação patética, reação tenebrosa
Ao que tudo indica, a ocupação da reitoria da USP foi de fato patrocinada por um grupo de aloprados, que atropelou o rito das assembleias realizadas até então e, num ato de desespero (calculado?), fez rolar morro abaixo uma pedra que, aos trancos, deveria ser endereçada para pontos mais altos da discussão.
Estudante é retirado a força de ocupação na reitoria da USP. Foto: André Lessa/AE
Uma vez que essa pedra rolou, como se viu, tudo desandou. Absolutamente tudo, o que se nota pela declaração do ministro-candidato-a-prefeito (algo como: bater em viciado pode, em estudante, não) e do governador (vamos dar aula de democracia para esses safadinhos), passando pela atitude da própria polícia (tão aplaudida como o caveirão do Bope que arrebenta favelas), de cinegrafistas (ávidos por flagrar os “marginais” de camiseta GAP) e de muitos, mas muitos mesmo, cidadãos que só esperavam o ataque aéreo dos japoneses em Pearl Harbor para, em nome da legalidade, arremessar suas bombas atômicas sobre Hiroshima.
O episódio, em si isolado, é sintomático em vários aspectos. Primeiro porque mostra que, como outros temas-tabus (questão agrária, aborto…), a discussão sobre a rebeldia estudantil é hoje um convite para o enterro do bom senso. O episódio foi, em todos os seus atos, uma demonstração do que o filósofo e professor da USP Vladimir Safatle chama de pensamento binário do debate nacional – segundo o qual a mente humana, como computadores pré-programados, só suporta a composição “zero” ou “um”. Ou seja: estamos condicionados a um debate que só serve para dividir os argumentos em “a favor” ou “contra”, “aliado” ou “inimigo”.

quarta-feira, novembro 09, 2011

Crianças perguntam...


Crianças perguntam...


Por que nascemos? Esta é uma das perguntas mais profundas que as crianças fazem a seus pais. E, quando pai e mãe também procuram o sentido da vida, eles podem conversar claramente sobre o assunto com seus filhos.

As crianças têm muitas indagações. Assim que começam a falar e a expressar seus pensamentos, fazem perguntas aos pais, avós, professores e mesmo a pessoas sentadas perto delas num ônibus ou num parque. Pode-se dizer que bombardeiam as pessoas com perguntas. Querem que os adultos lhes expliquem o mundo: Mostre-me! Diga-me! Como? Por quê? Por que não?

Mas... e as respostas? Para essas questões muito profundas e de longo alcance, os adultos, em geral, não têm resposta imediata. Às vezes, reagem impotentes ou impacientes: Não pergunte tanto! Não faça perguntas tolas! Ou se perguntam a si próprios: O que posso dizer? Como devo dizer?
Cada palavra dita é muito importante, porque as questões são importantes. São questões sobre a vida. A criança existe e quer saber por quê!

Os argumentos verdadeiros surgem quando o adulto, ao ser questionado e ao se questionar, recorda de algo que está escondido no fundo de seu coração. Perguntas feitas de coração para coração exigem respostas também de coração para coração. Todo aquele que tenha procurado em si mesmo respostas para as questões fundamentais pode incentivar a criança a também encontrar seu caminho interior e a querer segui-lo. Nesse caminho tudo vai ficando claro, e, em algum momento, o grande enigma da vida lhe será desvendado: Vivo para despertar a eternidade que dorme em mim!

A eternidade é uma semente que jaz enterrada em cada coração e, há tempos imemoriais, aguarda ser trazida à vida. É uma criança que, uma vez desperta, prevê seu destino. Depende apenas de autonomia para ler o próprio plano e de orientação para amadurecer e caminhar em direção à Luz. 


quinta-feira, novembro 03, 2011

DEPOIMENTO - Nina Crintzs


Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto
Nina Crintzs

Há seis anos eu tive uma dor no olho. Só que a dor no olho era, na verdade, no nervo ótico, que faz parte do sistema nervoso. O meu nervo ótico estava inflamado, e era uma inflamação característica de um processo desmielinizante. Mais tarde eu descobri que a mielina é uma camada de gordura que envolve as células nervosas e que é responsável por passar os estímulos elétricos de uma célula para a outra. Eu descobri também que esta inflamação era causada pelo meu próprio sistema imunológico que, inexplicavelmente, passou a identificar a mielina como um corpo estranho e começou a atacá-la. Em poucas palavras: eu descobri, em detalhes, como se dá uma doença-auto imune no sistema nervoso central. Esta, específica, chama-se Esclerose Múltipla. É o que eu tenho. Há seis anos. Os médicos sabem tudo sobre o coração e quase nada sobre o cérebro – na minha humilde opinião. Ninguém sabe dizer por que a Esclerose Múltipla se manifesta. Não é uma doença genética. Não tem a ver com estilo de vida, hábitos, vícios. Sabe-se, por mera observação estatística, que mulheres jovens e caucasianas estão mais propensas a desenvolver a doença.
Eu tinha 26 anos. Right on target. Mil médicos diferentes passaram pela minha vida desde então. Uma via crucis de perguntas sem respostas. O plano de saúde, caro, pago religiosamente desde sempre, não cobria os especialistas mais especialistas que os outros. Fui a todos – TODOS – os neurologistas famosos – sim, porque tem disso, médico famoso – e, um por um, eles viam meus exames, confirmavam o diagnóstico, discutiam os mesmos tratamentos e confirmavam que cura, não tem.
 Minha mãe é uma heroína – mãos dadas comigo o tempo todo, segurando para não chorar. Ela mesma mais destruída do que eu. E os médicos famosos viam os resultados das ressonâncias magnéticas feitas com prata contra seus quadros de luz – mas não olhavam para mim. Alguns dos exames são medievais: agulhas espetadas pelo corpo, eletrodos no córtex cerebral, "estímulos" elétricos para ver se a partes do corpo respondem. Partes do corpo. Pastas e mais pastas sobre mesas com tampos de vidro. Colunas,  crânio,  córneas.  Nos meus olhos, mesmo, ninguém olhava. O diagnóstico de uma doença grave e incurável é um abismo no qual você é empurrado sem aviso.  E sem pára-quedas. E se você ta esperando um "mas" aqui,  sinto lhe informar, não tem. Não no meu caso. Não teve revelação divina. Não teve fé súbita em alguma coisa maior. Não teve uma compreensão mais apurada das dores do mundo. O que dá, assim, de cara, é raiva. Porque a vida já caminha na beirada do insuportável sem essa foice tão perto do pescoço. Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença se morte lenta e degradante. Dá vontade de acreditar em Deus, sim, mas só se for para encher Ele de porrada. O problema é que uma raiva desse tamanho cansa, e o tempo passa. A minha doença não me define, porque eu não deixo. Ela gostaria muitíssimo de fazê-lo, mas eu não deixo. Fiz um combinado comigo mesma: essa merda vai ter 30% da atenção que ela demanda. Não mais do que isso. E segue o baile. Mas segue diferente, confesso. Segue com menos energia e mais remédios. Segue com dias bons e dias ruins – e inescapáveis internações hospitalares. A neurologista que me acompanha foi escolhida a dedo: ela tem exatamente a minha idade, olha nos meus olhos durante as minhas consultas, só ri das minhas piadas boas e já me respondeu "eu não sei" mais de uma vez. Eu acho genial um médico que diz "eu não sei, vou pesquisar". Eu não troco a minha neurologista por figurão nenhum.
 O meu tratamento custaria algo em torno de R$12.000,00 por mês. Isso mesmo: 12 mil reais. "Custaria" porque eu recebo os remédios pelo SUS. Sabe o SUS?! O Sistema Único de Saúde? Aquele lugar nefasto para onde as pessoas econômica e socialmente privilegiadas estão fazendo piada e mandando o ex-presidente Lula ir se tratar do recém descoberto câncer? Pois é, o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente o tratamento que eu faço para Esclerose Múltipla.
Atenção: o ÚNICO. Se isso implica em uma carga tributária pesada, eu pago o imposto. Eu e as outras 30.000 pessoas que tem o mesmo problema que eu. É pouca gente? Não vale a pena? Todos os remédios para doenças incuráveis no Brasil são distribuídos pelo SUS. E não, corrupção não é exclusividade do Brasil. O maior especialista em Esclerose Múltipla do Brasil atende no HC, que é do SUS, num ambulatório especial para a doença. De graça, ou melhor, pago pelos impostos que a gente reclama em pagar. Uma vez a cada seis meses, eu me consulto com ele. É no HC que eu pego minhas receitas – para o tratamento propriamente dito e para os remédios que uso para lidar com os efeitos colaterais desse tratamento, que também me são entregues pelo SUS. O que me custaria fácil uns outros R$2.000,00. Eu acredito em poucas coisas nessa vida.
Tenho certeza de que o mundo não é justo, mas é irônico. E também sei que só o humor salva. Mas a única pessoa que pode fazer piada com a minha desgraça sou eu – e faço com regularidade. Afinal, uma doença auto-imune é o cúmulo da auto-sabotagem. Mas attention shoppers: fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto. É, talvez, falha de caráter. E falar do que não se conhece é coisa de gente burra. Se você nunca pisou no SUS – se a TV Globo é a referência mais próxima que você tem da saúde pública nacional, talvez esse não seja exatamente o melhor assunto para o seu, digamos, "humor". Quem me conhece sabe que eu não voto – não voto nem justifico. Pago lá minha multa de três reais e tals depois de cada eleição porque me nego a ser obrigada a votar. O sistema público de saúde está longe de ser o ideal. E eu adoraria não saber tanto dele quanto sei. O mundo, meus amigos, é mesmo uma merda. Mas nós estamos todos juntos nele, não tem jeito. E é bom lembrar: a ironia é uma certeza. Não comemora a desgraça do amiguinho, não.

terça-feira, novembro 01, 2011

segunda-feira, outubro 31, 2011

Fernando Pessoa


Meu pensamento é um rio subterrâneo
Posted on março 25, 2007
Fernando Pessoa in Poesias Ocultistas
 
Meu pensamento é um rio subterrâneo.
Para que terras vai e donde vem?
Não sei… Na noite em que o meu ser o tem
Emerge dele um ruído subitâneo
De origens no Mistério extraviadas
De eu compreendê-las…, misteriosas fontes
Habitando a distância de ermos montes
Onde os momentos são a Deus chegados…
De vez em quando luze em minha mágoa,
Como um farol num mar desconhecido,
Um movimento de correr, perdido
Em mim, um pálido soluço de água…
E eu relembro de tempos mais antigos
Que a minha consciência da ilusão
Águas divinas percorrendo o chão
De verdores uníssonos e amigos,
E a ideia de uma Pátria anterior
À forma consciente do meu ser
Dói-me no que desejo, e vem bater
Como uma onda de encontro à minha dor.
Escuto-o… Ao longe, no meu vago tacto
Da minha alma, perdido som incerto,
Como um eterno rio indescoberto,
Mais que a ideia de rio certo e abstrato…
E pra onde é que ele vai, que se extravia
Do meu ouvi-lo? A que cavernas desce?
Em que frios de Assombro é que arrefece?
De que névoas soturnas se anuvia?
Não sei… Eu perco-o… E outra vez regressa
A luz e a cor do mundo claro e atual,
E na interior distância do meu Real
Como se a alma acabasse, o rio cessa…

terça-feira, outubro 25, 2011

A hora do agora

Toda hora é hora de dar o salto para o novo
ovo de uma explosão de nova vida...
Findas infinitas, tácitas vindas de um vir a ser radical,
radicado em minhas memórias do por vir...
Essa é a promessa, peça de uma engrenagem
miragem concreta daquilo que nos espera,
que se espera ou exaspera,
eras e meras grandezas de tempos incontáveis,
contados em lendas em lentas articulações e evoluções.
Toda hora é, ora bolas, horário do tempo eterno, termo estranho,
que marca no relógio da impaciência de quem sabe que o tempo não para
para o às vezes desejado descanso.
Então descambas para a espera nervosa, nervosos lábios aos gritos
lançando-se aos ritos, mitos, mil tons de lamúrias sem respostas.
Toda hora é obra, e cobra seu cumprimento.
Toda hora posso mudar o tempo do relógio desses tempos de hoje,
templos de forasteiros, 
viajamos em busca da hora certa, 
ou certa hora mais que incerta.
"Enceta tua viajem", me diz a magia,
"aceita o incerto de toda hora ser a hora da obra certa. 
segue teu rumo!!!"

Carlos Wagner

sexta-feira, outubro 21, 2011

Pessoa

Da Minha Idéia do MundoFernando Pessoa
Da minha idéia do mundo 
                     Caí... 
Vácuo além do profundo, 
Sem ter Eu nem Ali... 

Vácuo sem si-próprio, caos 
De ser pensado como ser... 
Escada absoluta sem degraus... 
Visão que se não pode ver... 

Além-Deus! Além-Deus! Negra calma... 
Clarão do Desconhecido... 
Tudo tem outro sentido, ó alma, 
Mesmo o ter-um-sentido... 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

segunda-feira, outubro 03, 2011

Novo Mural no facebook...

Criamos um novo "Mural", no facebook, espaço para que nossas trocas possam ser mais efetivas e visualizadas.
Aqui, neste blog, propriamente, procuro exercer uma prática de escrever, ler e reler textos interessantes, criar novos textos em múltiplas linguagens e estabelecer um campo como um espaço onde nossas ideias possam ser veiculadas.
Estejam sempre à vontade para participar, aqui ou alí.
Deixe seus comentários.

http://www.facebook.com/pages/Coutinho-Sagrada-e-Campos-f%C3%A9rteis/221483291248909?v=info#info_edit_sections

Carlos Wagner

terça-feira, setembro 13, 2011

Texto lúcido


Marcelo Carneiro da Cunha
De São Paulo
Estimadíssimos milhares de leitores, cá estamos, à véspera do 11 de setembro de 2011, dez anos desde então.
Espero que vocês não saibam, mas eu estava lá. Eu faço que esqueço, mas estava, e nessas datas jornais sempre descobrem que eu estava lá e acabo falando a respeito, e falo em respeito ao dia e às vítimas, e em respeito ao direito que as pessoas têm de saber o que aconteceu naquele dia, mesmo que o que eu saiba seja pouco e nada mais ou melhor do que o que todos sabem. Saber é uma coisa, caros leitores, e viver é outra. Saber, todos sabemos. Viver, eu vivi, e preferia não ter vivido, simples assim.
Porque dói demais, estimados leitores. Estou aqui escrevendo e fazendo beiço e sorte a minha terrível avó Jovita não estar por perto, porque então eu ia ver só. Homem não fazia beiço, no mundo da minha avó. Acho que homens também não pegavam aviões cheios de pessoas e os jogavam contra prédios cheios de pessoas no mundo da minha avó, mesmo que certamente fizessem outras barbaridades.
O que acontece é isso, caros e estimados leitores. A humanidade vem se aperfeiçoando desde que começou a domesticar gramíneas e inventar cidades. Ela criou o teatro grego, a arquitetura romana, a cerveja, as catedrais, o teatro shakespeareano, a música sinfônica, o mais pesado do que o ar, o boteco de esquina e a televisão, juntamente com a antena e o bombril. Ela criou o bronze, o aço, o arco composto, o estribo, a pólvora, o canhão, o muro, a invasão do muro, a metralhadora, o gás mostarda; a bomba atômica e a testou em Hiroshima e Nagasaki, o bombardeio incendiário e o testou em Hamburgo e Dresden; ela inventou Auschwitz e o napalm. A cada avanço de uma bondade, um avanço na maldade, e assim a gente vem se equilibrando sobre o planeta, desde sempre. O dia 11 de setembro foi um passo adiante no avanço da maldade e quem estava em Nova York mais do que entendeu, sentiu. Eu andava pela rua, num dia absurdamente azul e com ar frio e sentia a maldade descendo do céu na forma de poeira (Grifo meu, Carlos Wagner). A gente olhava ao redor e via pessoas subindo cobertas de entulho caído dos céus. Os americanos inventaram o arranha-céu, e dessa vez o céu se abriu e jogou tudo lá de cima aqui em baixo, pessoas inclusive, bombeiros que tinham subido lá para salvar pessoas, inclusive. Houve muita morte naquele dia, e isso se sente, caros leitores.
Eu fui para um encontro de amigos escritores, estava em um hotelzinho na Union Square, a uns 3 quilômetros das torres. Acordei de uma festa, com dor de cabeça e sem saber de nada. Não vi os aviões atingindo as torres, não teria sido possível de onde eu estava. Vi as pessoas subindo a avenida, os caminhões de bombeiros cobertos de pó, tentei ir até o local, porque jornalista é assim: gente corre pra longe, eles correm pra perto. Mas a área estava isolada, e a verdade é que ninguém sabia o que iria acontecer. Ninguém sabia se eram mesmo dois aviões ou haveria mais caindo sobre a cidade. Ninguém sabia se o ataque era aquele ou haveria mais maldade. Nessas horas, a gente simplesmente não sabe e não entende.
O que eu vi foi uma cidade reagindo com uma calma invejável. Eu gostaria de sentir que seríamos capazes da mesma compostura numa hora dessas. Minha avó Jovita esperaria isso de nós, não sei se a atenderíamos. No dia 11 as pessoas ainda estavam em choque, mas um choque contido, ninguém falava alto, ninguém demonstrava medo. No dia 12, com o metrô funcionando, se via uma enorme tristeza se abatendo sobre todos. Mas nenhuma agressividade, nenhuma fala de vingança, apenas uma dor coletiva. A mim, nada aconteceu. Não passei qualquer dificuldade maior, fome, frio, nada. No dia seguinte, amigos que iam para Chicago de carro me convidaram e fui junto, esperar voos para o Brasil. Eu fui um daqueles caras intocados pelo terremoto, que nem ao menos ficam no lugar para viver as consequências. No entanto, todos vivemos as consequências hoje e por muito tempo, porque as grandes maldades alteram o que chamávamos de normalidade.
Eu estava em Chicago em 2003, quando os Estados Unidos invadiram o Iraque, um desastre que não começa com o 11 de setembro, mas é viabilizado por ele. Bush e falcões se aproveitam do clima com interesses claros e que a ninguém mais atendem, meio como a Al Qaeda, mas por outros caminhos. E é nesse mundo que todos vivemos, muito em especial os iraquianos, as maiores vítimas desse jogo.
Nosso 2011 também é o ano em que a parte árabe da humanidade resolveu dar o troco com a enorme bondade da derrubada em série dos tiranos deles, mostrando que sim, eles amam a liberdade e sim, a desejam e produzem.
Nesse 11 de setembro é nisso que eu vou pensar, enquanto pego um voo, e vejam só, para a Venezuela, onde vou lançar livro, dar seminário e falar de cinema. A vida é a soma das bondades que fazemos, menos as nossas pequenas maldades. Nessa matemática todos temos a nossa parcela a contribuir, pra lá, ou pra cá. Vou tentar ser um bom ser humano nessa semana, uma pequena maneira de apagar um pouco da sensação do 11 de setembro, aquela que insinua que nós, a humanidade no atacado, e pessoas no varejo não temos jeito. Temos sim. Apenas não é tão fácil, e, por vezes, é muito difícil, só isso. Só isso, meus caros e estimados leitores, e até a volta.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Da coleção Gítanjali do poeta Rabindranath Tagore

"De porta em porta eu andara mendigando pelo caminho da aldeia, quando o teu carro de ouro apareceu na distância como um sonho deslumbrante e eu me perguntei se seria esse o Rei de todos os reis! O carro parou onde eu estava. Teu olhar caiu sobre mim e tu desceste com um sorriso inesperadamente estendeste-me a tua mão direita e disseste: “que tens tu para me dar?”
Fiquei confuso e parei indeciso; do meu alforje então, lentamente tirei e dei-te o grão de trigo menor de todos. Mas, que grande surpresa foi a minha quando, pelo fim do dia, entornando no chão a minha sacola, encontrei entre as migalhas um grão de ouro que era o menor de todos! Amargamente chorei, lamentando não ter tido coragem de me haver dado todo a ti!"

- Da coleção Gítanjali do poeta Rabindranath Tagore.


FLOR-DE-LÓTUS

No dia em que a flor de lótus desabrochou


A minha mente vagava, e eu não a percebi.


Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.


Somente agora e novamente, uma tristeza caiu 


sobre mim.


Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro


De um perfume no vento sul.


Essa vaga doçura fez o meu coração doer de 


saudade.


Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, 


procurando completar-se.


Eu não sabia então que a flor estava tão perto de 


mim


Que ela era minha, e que essa perfeita doçura


Tinha desabrochado no fundo do meu coração.


Tagore

domingo, setembro 11, 2011

O cadinho e peneiras...


"O livro de Mirdad" 


 Mikail Naymy


Cadinho e Peneiras.

 


A Palavra de Deus e do homem.


A Palavra de Deus é um cadinho.




O que ela cria, derrete e funde em todo, nada aceitando como valioso, nada rejeitando como sem valor.
Possuindo o Espírito de Compreensão, sabe muito bem que ela e a sua criação constituem um todo; que rejeitar uma é rejeitar tudo; que rejeitar o todo é rejeitar-se a si mesmo. Conseqüentemente, ela tem para sempre o mesmo objetivo e o mesmo sentido. 


Entrementes, é como uma peneira a palavra do Homem. O que ela cria, prende e expulsa. Está sempre tornando isto como amigo e expulsando aquilo como inimigo. Mas, freqüentemente, o amigo de ontem torna-se o inimigo de hoje; o inimigo de hoje, o amigo de amanhã.


E assim se desencadeia a cruel inútil guerra do Homem contra si mesmo. Tudo porque falta ao Homem o Espírito Santo, o único que pode fazê-lo compreender que ele e a sua criatura são uma e a mesma coisa; que expulsar o adversário é expulsar o amigo, pois ambas as palavras — “adversário” e “amigo” — são criações de sua palavra — de seu eu.


Aquilo de que não gostais e atirais fora como sendo mau, é certamente apanhado por alguém ou algo como sendo bom. Pode acaso ser, ao mesmo tempo, duas coisas que se excluam? Ela não é nem uma coisa nem outra, foi o vosso eu que a fez má; outro eu a fez boa.


Não vos disse que aquele que pode criar pode também destruir? Tal como criastes um inimigo, podeis destruí-lo e tornar a criá-lo como amigo. 


Para isso, o vosso EU precisa de um cadinho. Para isso necessitais ter o Espírito de Compreensão.


Por isso vos digo que se orais por algo, orai emprimeiro e último lugar, pedindo Compreensão. Nunca sejais peneiradores, meus companheiros, pois a Palavra de Deus é Vida e a Vida é o cadinho no qual tudo se faz uno e indivisível; tudo fica em perfeito equilíbrio e tudo é digno de seu autor — a Triunidade Santa.


Quanto mais digno deve ser de ti!


Nunca sejais peneiradores, meus companheiros, e tereis uma tão imensa estatura, tão onipenetrante e tão oniabrangedara que não haverá peneiras que vos possam conter.


Nunca sejais peneiradores, meus companheiros; procurai em primeiro lugar o conhecimento d’A Palavra para que possais conhecer a vossa própria palavra. E quando souberdes a vossa palavra laçareis ao fogo todas as vossas peneiras pois a vossa palavra e a de Deus são a mesma, somente que a vossa ainda está sob os véus.


Mirdad vos pede que jogueis fora os véus.


A Palavra de Deus é o Tempo e o Espaço, não medidos. Houve acaso algum tempo em que não estivésseis com Deus? E há algum lugar em que não estejais em Deus? Por que acorrentais então a eternidade com horas e com estações? E por que encerrais o Espaço em polegadas e milhas?


A Palavra de Deus é Vida não nascida e, portanto, imortal.

sábado, agosto 13, 2011

Versos do Bhagavad-gita


47. Tens o direito de executar teu dever prescrito, mas não podes exigir os frutos da ação. Jamais te consideres a causa dos resultados de tuas atividades, e jamais te apegues ao não-cumprimento do teu dever. 
48. Desempenha teu dever com equilíbrio, ó Arjuna, abandonando todo o apego a sucesso ou fracasso. Essa equanimidade chama-se yoga. 
49. Ó Dhanañjaya, através do serviço devocional, mantém todas as atividades abomináveis bem distantes, e com esta consciência, rende-te ao Senhor. Aqueles que querem gozar o fruto de seu trabalho são mesquinhos. 
50. Um homem ocupado em serviço devocional livra-se tanto das boas quanto das más ações, mesmo nesta vida. Portanto, empenha-te na yoga, que é a arte de todo o trabalho.
51. Ocupando-se nesse serviço devocional ao Senhor, grandes sábios ou devotos livram-se dos resultados do trabalho no mundo material. Desse modo, eles transcendem ao ciclo de nascimentos e mortes e passam a viver além de todas as misérias. 
52. Quando tua inteligência tiver cruzado a densa floresta da ilusão, tornar-te-ás indiferente a tudo o que se ouviu e a tudo o que se há de ouvir. 
53. Quando tua mente deixar de perturbar-se pela linguagem florida dos Vedas, e quando se fixar no transe da auto-realização, então terás atingido a consciência divina.

Todos novos em Capetinga

Todos novos em Capetinga
Olha aí o pessoal lá de antes...

O lobo da estepe - Hermann Hesse

  • O lobo da estepe define minha personalidade de buscador

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