sexta-feira, junho 07, 2013


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por zcarlos ferreira em 06/06/13 22:30
http://www.amigosdepelotas.com.br/uploads/imagens/YSjAiD.jpg 
Esperança para muitos de dias melhores na política no Brasil, a provável candidata à Presidência Marina Silva viu-se envolvida numa polêmica ao dizer que o pastor e deputado Marco Feliciano é criticado “por ser evangélico e não tanto por suas posições política”. Face às reações, a ex-senadora foi obrigada a esclarecer melhor sua frase, mas fica a questão sobre o que significa mesmo ser evangélico e em que medida certos líderes religiosos tem a ver com os atos e as palavras de Jesus. O pastor Feliciano oferece pistas valiosas para uma tentativa de resposta. Especialmente pela eloquente metáfora de um crime virtual que ele publicamente cometeu.
Numa de suas prédicas contra a santidade aparente dos fariseus, Jesus diz que todo o oculto será um dia proclamado dos telhados. Graças à hoje quase divina onipresença de celulares que filmam, esse tempo de onisciência parece ter chegado.
E foi assim que alguns canais de televisão puderam reproduzir uma cena estarrecedora. Durante um culto, o pastor e deputado Marco Feliciano, todo vestido de branco, lamentava não ter estado presente na morte de John Lennon para desfechar mais três tiros no corpo caído: um pelo Pai, outro pelo Filho e o terceiro pelo Espírito Santo. Microfone numa das mãos, revólver imaginário na outra, chegou a encenar para os fiéis como seria o seu ato.
A cena, deprimente, desperta em cristãos mais sensíveis ao que importa a necessidade de rever algumas facetas do explosivo crescimento midiático e comercial de certos grupos evangélicos, e de fazer isso em termos estritamente – evangélicos.
Uma dessas facetas é a relação com o dinheiro. O evangelho de Jesus é claro e radical ao pregar o desapego das riquezas deste mundo – “não se pode servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro”. No entanto, recentemente a revista norte-americana Forbes colocou seis dos nossos mais combativos líderes evangélicos entre os homens pessoalmente mais ricos do Brasil. O que não é de estranhar, tal a criatividade e fervor com que o pecado da simonia, ou venda de favores divinos, é praticado em cultos onde a conta bancária da Igreja rivaliza em citações com os versículos sagrados. Neles, os fiéis são constantemente estimulados a fazer suas ofertas, “mas só se Deus lhes pedir isso no fundo dos seus corações, diz o pastor com voz melíflua, como se aquelas vidas já tão vulneráveis estivessem em condições de ficar mal com Deus também.
Outro ponto igualmente delicado nessas igrejas mundanamente tão vitoriosas é a questão do poder. Em várias passagens o evangelho é claro ao dizer que o Reino de Jesus não é deste mundo – “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” é a mais conhecida expressão dessa verdade. Quando, depois da partilha dos pães, quiseram fazê-lo rei, Jesus “fugiu dali para o outro lado do lago”. No entanto, entre nossos líderes evangélicos mais creditados na Forbes, é intensa a participação no jogo político- partidário do país, não como cidadãos, mas acintosamente em nome dos votos do rebanho, formando avidamente bancadas evangélicas como se delas, por força de lei, devesse vir uma salvação que, como o evangelho insiste, é de outra ordem. Qualquer pessoa verdadeiramente religiosa sabe que não é pelo poder, dinheiro, milagres grotescos e truques de marketing que o reino de Deus avança.
Evangelho quer dizer boa-nova e alguns empresários da fé mal desconfiam que, com sua fixação em dinheiro e poder, estão apenas reproduzindo o pior da Igreja Católica em outras eras. Foi ao unir-se ao Império Romano no século IV que ela se desfigurou a ponto de passar séculos sofrendo toda a sorte de interferências mundanas em sua real missão. Foi vendendo indulgências para construir grandes templos que em Roma que ela deflagrou, e mereceu, a Reforma Protestante. A mistura de religião com poder civil sempre se revelou receita infalível de guerras e perseguições sem fim e nem é preciso ser um grande estudioso para constatar o quanto, na história da humanidade, o pecado e a dúvida mataram muito menos do que certo tipo pureza e de fé.
Triste perceber também o quanto essa militância política de líderes evangélicos em nada revela aquela chama sagrada dos grandes profetas de Israel que não temiam enfrentar os poderosos em nome dos mais fracos e mais pobres. O mal, para os eleitos da Forbes, nunca está nas estruturas injustas, corruptas e opressoras. Nenhum deles vai morrer como o pastor Martin Luther King morreu pelos direitos dos negros, ou sofrer como o bispo Desmond Tutu sofreu apoiando Mandela contra o apartheid, ou levar uma bala no coração em pleno altar como Dom Oscar Romero durante a sangrenta ditadura de El Salvador, ou ter de fugir do Brasil como fez a Irmã Giustina por ousar encarar a elite de São Gabriel da Cachoeira que estuprava meninas índias. Por pouco ela não tem o mesmo destino da Irmã Dorothy no Pará.
Enfrentar as injustiças dos poderosos pode pegar mal para o negócios e depois, diria o Pastor Feliciano, aquelas meninas eram apenas umas indiazinhas, não eram negras nem homossexuais. Melhor, então, chutar beatle morto. Melhor lutar para impedir que seja aprovado no Brasil esse grande responsável pela injustiça, a miséria, o analfabetismo, a alta da inflação, a falta de saneamento básico, o descontrole dos gastos públicos e o desmatamento ilegal : o casamento gay.
Jesus se refere a essa magnificação da irrelevância para encobrir o que importa quando diz que os fariseus são mestres em “coar mosquitos e engolir camelos”.
Vale lembrar, no entanto, que, silenciosamente, muitas igrejas evangélicas bem sabem que nada tem de evangélico esse uso de Deus para excluir e perseguir quem quer que seja, ou aquele tipo de pureza que precisa do impuro para brilhar, combater, explorar ou, vestido de branco, matar.
Esses arroubos de ira falsamente sagrada são úteis apenas na medida em que nos lembram algumas verdades bem comprovadas na prática: que nada é mais tóxico do que uma pureza infeliz, que o nazismo era, em última análise, uma forma de pureza e que não precisa esperar muito para constatar que todo o moralista extremado alguma está escondendo, aprontando ou levando por fora.
Mas é reconfortante pensar que nada disso vem do evangelho. Nas palavras e nos atos de Jesus, a fronteira entre o bem e o mal nunca se passa entre raças, seitas, partidos ou opções sexuais, mas pelo coração de cada um, diariamente. O que ele mais pedia aos seus seguidores não deveria vir de fora, das aparências e conveniências sociais, mas de dentro, do coração . E eram coisas bem simples e libertadoras: um amor tão indiscriminado como o sol e a chuva que igualmente vivificam a horta dos santos e dos pecadores; um amor tão eficiente como o do bom samaritano que recolhe (e não chuta) o esquecido à beira da estrada; um desapego radical aos deuses deste mundo, dinheiro, poder e vaidades; uma confiança, nas difíceis, semelhante à dos pássaros do céu e dos lírios do campo; e, principalmente, trabalhar todos os dias e todas as formas pelo advento do Reino de Deus, um reino de fraternidade e paz, a cujo serviço estão, ou deveriam estar, as organizações religiosas em seu nome formadas.
.oOo.
Carlos Moraes é jornalista, escritor e formado em Teologia. Publicou, pela Editora Record: Como ser feliz sem dar certo e outras histórias de salvação pela bobagem, Agora Deus vai te pegar lá fora e Desculpem, sou novo aqui.
No Sul21

sábado, maio 18, 2013

Esperança de Mino...


O C Af reproduz  editorial do Mino na Carta Capital:


ESPERANÇA RENOVADA

Comove a fidelidade dos leitores de CartaCapital colhida em andanças pelo Brasil: eles estão afinados com o nosso compromisso 

Escrevi um livro intitulado O Brasil, publicado pela Editora Record de Sergio Machado e engalanado pelo posfácio de Alfredo Bosi. Lançado em São Paulo no final de fevereiro passado, graças a O Brasil tenho viajado pelo próprio em noites de autógrafos, e mais viajarei.

O livro pretende conciliar ficção com memória, acima da óbvia ideia de que quem escreve quase sempre conta a si próprio. O enredo desenrola-se em cenários verdadeiros e contexto histórico idem, e escala personagens verdadeiros juntamente com os da ficção. Aqueles ao surgirem em cena, automaticamente até, como será provado para quem se der ao trabalho de me ler, convocam as lembranças do trato que tive com eles. São anotações esparsas, limitadas a alguns momentos escolhidos quase ao acaso, às vezes ditadas pela emoção. Certo é que não quis escrever um livro de memórias, estes são para Churchill, para De Gaulle. E muito menos apresentar uma coletânea de artigos conforme vezo brasileiro peculiar e primitivo.

De São Paulo passei ao Rio no começo de março, depois Brasília. Fui a Fortaleza em abril, a Salvador na primeira quinzena de maio. Nestas capitais nordestinas falei para plateias generosas, em seguida às apresentações críticas de Ciro Gomes no Ceará e Emiliano José na Bahia. Noitadas inesquecíveis, santificadas pela presença de grandes amigos indispensáveis, e não me move aqui qualquer impulso retórico.  O que me tocou em profundidade, espeleologia com tocha e cordas, é a amizade dos conhecidos e dos desconhecidos, e a ligação que todos estabelecem entre o acima assinado e CartaCapital. Brindam-me com frases de dar nó na garganta, e não exagero. Agradecidos porque existimos. Meus visitantes da noite enaltecem aquilo que têm como lisura, honestidade, independência. Como respeito pela verdade factual e pela língua, bela e rica.

Emocionam-me esses dignos representantes da cidadania, e falo agora sem pieguismo. Solicitado por uma pergunta, em Salvador contei como me tornei jornalista e, de início, encarei a profissão. Em princípio com seriedade, creio eu, mas também com certo espírito mercenário, o que me levou a aceitar a chefia da equipe pioneira de uma revista de automóveis, a Quatro Rodas da Editora Abril, sem saber dirigir carro e sem distinguir um Fusca de uma Mercedes. Tinha então 26 anos.

Acordei para a valia do jornalismo depois do golpe de 1964 e mais ainda após o golpe dentro do golpe de 1968, que logo precipitaria a feroz censura em Veja, da qual era diretor da sua primeira redação. A despeito da prepotência da ditadura, foi aquele um tempo esperançoso, na expectativa de que o Brasil encontraria seu melhor caminho ao raiar do sol da liberdade.

Ao cabo, o sol não raiou, embora anunciassem a redemocratização no tom dos arcanjos. O Brasil padeceu Sarney, Collor, Fernando Henrique, com todas as inevitáveis consequências, sem contar com a ambiguidade da palavra redemocratização, como se antes tivéssemos gozado de radiosa democracia. Nonadas, diria Guimarães Rosa. De todo modo, as eleições de Lula e Dilma Rousseff me devolveram esperança, porque lhes conhecia o propósito de enfrentar o problema mais agudo, mais gritante, mais daninho: a desigualdade social monstruosa. Donde, o apoio dado a ambos por CartaCapital, clara e responsavelmente, como manda o jornalismo autêntico.

Hoje, minhas andanças pelo País me conduzem pela mão à convicção de que há brasileiros habilitados a entender o empenho de CartaCapital. O compromisso. Daí o redobrar da esperança. Brasileiros, enfim conscientes da cidadania, decisiva para a democratização do País. Minoria, porém válida e exemplar. Democratização, e ponto.

quinta-feira, março 14, 2013

Nova era

O mundo ferve em acontecimentos de todas as ordens...em duplo sentido também...
As coisas vão acontecendo, vão passando por nós e nós por elas...Está muito alta a temperatura. O astral está também agitado. Muitos debates, muitas manifestações pró e contra tudo.
O mundo arde em desejos pró e contra. Muitos caminhos...A humanidade vive as contrações de um parto esperado desesperadamente. Ela sempre de olho no futuro, presa ao passado e inerte ao verdadeiro sentido do presente "agora". 
O parto tem parteiras. E a jovem humanidade solta seus gritos de dor, misturados num imbróglio frêmito de  de prazer e êxtase e desespero. A mistura desperta uma grande perplexidade.
Dogmas não nos salvam de nada. Crenças cegas não nos libertam de nossos vícios, de nossos defeitos de caráter  Somente a vida real pode representar alguma saída, que necessariamente nasce do encarar a dor de escolhas nem sempre agradáveis, nem sempre lógicas para o nosso "eu burguês".
Às portas  de uma era incrível que se anuncia, somente os intrépidos e decididos por uma vida honesta, interior e consciente poderão ser os verdadeiros auxiliadores e parteiros de uma nova geração.
Que os jovens de hoje possam logo encontrar seus lugares nas tarefas que serão imprescindíveis para uma nova humanidade.

Se Oriente, rapaz! Já dizia o Gilberto Gil, há três décadas, "pela continuidade do Sonho de Adão"

quinta-feira, março 07, 2013

AO AMOR...



Há 30 anos nos deixavam esses dois. Que impacto foi aquele. Arrebatador, dor, dor, dor...

Há trinta anos, aquela noite de segunda-feira, nunca vou me esquecer... meu grande amigo e irmão, como os outros dois que mais tarde trariam novamente a experiência mais forte que os humanos passam, a perda de pessoas inimaginavelmente queridas, alojadas dentro da nossa alma.


sábado, fevereiro 23, 2013

A dialética de Lennon & McCartney sobrevive ao cinismo e à desesperança dos dias atuais



http://beatlescollege.wordpress.com/2012/03/08/a-dialetica-de-lennon-mccartney-sobrevive-ao-cinismo-e-a-desesperanca-dos-dias-atuais/



As contradições entre o apaulíneo e o johnisíaco ajudam a explicar a permanência da música do grupo inglês
Ainda outro dia, um amigo me mandou um e-mail contando que havia presenciado uma cena saída diretamente do seriado Túnel do Tempo. Encostados no balcão do BB Lanches, no Rio, dois garotos, de no máximo 13 anos, conversavam assim: “Você sabe por que eles fizeram Taxman? Porque na Inglaterra tinha imposto pacas. Eles fizeram uma música de protesto!”. Ao que o outro aquiesceu, acrescentando mais um caminhão de informações sobre o hino antitributário do álbum Revolver.
Meu amigo ficou estupefato. Era como se nós dois estivéssemos ali, 30 anos antes, tomando um suco depois do colégio. Nessas três décadas, o mundo virou do avesso. Acabou a guerra fria, o regime militar, a paz no Leblon. Sérgio Dourado faliu, Star Wars cansou, Joey Ramone morreu. Foi-se tudo e mais um pouco. Mas os garotos ainda estão lá, falando dos Beatles.
Alguns historiadores do rock atribuem o fenômeno às vantagens do pioneirismoos Beatles foram as pessoas certas no momento certo. Tinham o talento, o visual e a ousadia necessários para ocupar o vazio deixado pelo esgotamento criativo de Elvis, Chuck Berry, Little Richard e companhia. Mal despontaram para o estrelato, entenderam a importância de se posicionarem na vanguarda de uma década revolucionária. E foram assim pavimentando o caminho para a explosão internacional do rock, a difusão da contracultura e a grande revolução musical e comportamental dos anos 60.
Embora sensato, o argumento se refere apenas ao passado. Não explica nada sobre a permanência dos Beatles. Nenhum moleque vai sair da sua casa e ir até o camelô da esquina comprar um CD por conta do papel histórico de uma banda na formação do mundo moderno. Além do quê, sejamos objetivos: os anos 60 terminaram faz tempo. Permanece então a pergunta: como pode alguém se apaixonar pelos cabeludos de Liverpool em meio ao cinismo e à desesperança do século XXI? Como pode um jovem saudável contrair a febre da beatlemania em plena era do hip-hop e da cultura digital? O palpite é simples. A música – tudo se resume à música.
Os quatro nunca foram instrumentistas virtuosos. Ninguém encontrará um solo de 15 minutos num disco dos Beatles. Mas eles tocavam com convicção, com gosto. Num estilo próprio, inigualável. Utilizando até a última gota os recursos técnicos a seu dispor. Quando necessário, sabiam acolher a contribuição de amigos brilhantes. E, como num passe de mágica, o convidado era incorporado ao som da banda, tornando-se o quinto elemento: Clapton arrancando gemidos da sua Les Paul emWhile My Guitar Gently Weeps, Billy Preston incendiando Get Back com seus teclados endiabrados.
Outra virtude: eles cantavam bem. Talvez sem o virtuosismo de Ray Charles, Sam Cooke ou Aretha Franklin, mas com fabuloso esmero. Cantar não é apenas uma questão de extensão vocal e técnica apurada. É também possuir um bom timbre, e usar a voz com caráter, potência, precisão. Quem pode resistir ao suíngue vigoroso de Lennon em Twist and Shout ou ao charme nostálgico de McCartney em When I’m Sixty-Four? Quem consegue ser mais expressivo que John em I’m So Tired ou mais irado que Paul em Helter Skelter? Mesmo George e Ringo tinham seus momentos. A performance do homem dos anéis em Boys merece figurar em qualquer antologia de rockabilly. Os vocais de Something fizeram a cabeça até do exigente Sinatra.
Eles eram também mestres da harmonia. Sabiam como poucos combinar suas vozes, fazer arranjos, colorir as canções com impecáveis duetos e corinhos. De If I Fell a Because, John, Paul e George fizeram o diabo. Durante seus anos de formação, os três beberam na melhor escola da música negra americana, ouvindo muito rythm’n'blues e soul music. Eles se ligavam mais no som de gravadoras como a Motown, a Stax-Volt e a Atlantic do que propriamente no blues raiz da Chess Records, porém ainda assim curtiram, aprenderam e internalizaram uma música negra legítima. Cheia de balanço, alegre, contagiante. Que os influenciou até o final – especialmente ao blackman McCartney. Let It Be não é outra coisa senão um poderoso hino gospel cantado por um pastor de alma retinta.
Eles tocavam tudo, ouviam tudo. Sabiam aprender e recriar. Poucos grupos, em toda a história do rock, conseguiram ser uma banda cover tão boa como os Beatles. Os quatro tocavam Please Mr. PostmanYou Really Got a Hold on MeRoll over BeethovenMoney (That’s What I Want)Rock and Roll Music ou Kansas City vários furos acima dos originais. Coisa que nenhum dos demais integrantes da invasão inglesa jamais chegou a fazer. Os Stones eram intérpretes sofríveis de Muddy Waters e Howlin’ Wolf. Os Beatles cantavam Smokey Robinson melhor que o próprio.
Eram também ousados, destemidos. Capazes como ninguém de desbravar novas áreas para o avanço da música popular. She Loves YouAnd I Love HerYesterdayNorwegian WoodDay TripperPaperback WriterStrawberry Fields ForeverLucy In The Sky With DiamondsA Day In The LifeAll You Need Is LoveLady Madonna Here Comes The Sun alargaram o universo de possibilidades da música pop, trazendo novas formas de tocar, novos estilos, novas técnicas de gravação, novas estruturas de composição.
Atribuir tanta inventividade apenas ao produtor George Martin (como o fazem alguns críticos) é uma tolice que só pode ser cometida por quem nunca ouviu Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band- com Peter Frampton e os Bee Gees. Foi o maestro quem produziu o disco. E a genialidade nem passou por perto.
O amadurecimento musical da banda pode corresponder, facilmente, ao amadurecimento natural de qualquer pessoa que vai se descobrindo um amante da música. E, por isso, atrai, conquista, cria vínculos. Além do que, trata-se de um amadurecimento generoso, inclusivo, ponderado, que jamais pretendeu renegar a simplicidade dos primeiros anos. Os Beatles adicionaram novas veredas a sua trilha inicial, sempre com a convicção de que o simples e o complexo são duas formas distintas de se chegar à beleza. Penny Lane nunca será melhor que I Saw Her Standing There. Apenas diferente. Uma forma distinta de se chegar à perfeição.
Adiversidade e a amplitude do som dos Beatles criam várias portas de entrada para quem está começando a se interessar por música. Conheço pessoas que se viram atraídas pelo balanço juvenil de I Should Have Known Better, pela viagem indiana de Within You and Without You, pela elegância clássica de Eleanor Rigby, pela lucidez enérgica de Revolution, pelo sabor folk de Blackbird e pela fantasia sing-along de Yellow Submarine. Cada um chegou ao quarteto por uma via diferente; e, a seu modo, todos acabaram por fazer o circuito completo.
Os Beatles eram um mecanismo de criação. Sempre olhando para a frente, sem jamais se escorar no êxito formulaico. A força propulsora desse mecanismo era (eis a minha tese central) a interação dialética de Lennon & McCartney. Uso a palavra sem pedantismo, em seu sentido mais amplo. Dialética é diálogo, embate, discussão. Mas também o jogo permanente e sem descanso. Adição e contradição; unidade e multiplicidade; identidade e diferença. Movimento e síntese. Dois compositores igualmente geniais, mas com inclinações distintas, por vezes opostas. Dois líderes cheios de idéias e talento. Um levando o outro a permanentemente se superar. Ambos avançando: ora juntos, ora separados. Nenhum permitindo ao outro se acomodar. Nenhum aceitando ser deixado para trás.
Em geral, as grandes parcerias musicais são compostas por um melodista e um letrista, que unem forças, formando uma perfeita unidade: Rodgers e Hart, George e Ira Gershwin, Tom e Vinícius, Lieber e Stoller, Page e Plant, Keith Richards e Mick Jagger, Elton John e Bernie Taupin. No caso de Lennon & McCartney tudo muda. Ambos eram compositores completos, autônomos. Mas entenderam, desde cedo, a importância de buscarem um ao outro. Muitas duplas de compositores somam. John e Paul multiplicam.
As narrativas mais comuns da trajetória dos Beatles levam a crer que a parceria Lennon & McCartney existiu apenas na fase inicial do conjunto, tornando-se mais tarde mera convenção. Trata-se de um engano. Eles foram parceiros até o final. Mesmo quando escreviam separados, John e Paul o faziam um para o outro. Pensavam, sentiam e criavam obcecados com a presença (ou ausência) do parceiro e “rival”.
Sem a contribuição decisiva de McCartney, jamais teríamos algumas das mais inspiradas canções de Lennon. Deve-se a Paul a abertura de Strawberry Fields Forever, o arranjo grandioso de All You Need Is Love, os efeitos de tape de Tomorrow Never Knows, a alucinação de I Am The Walrus, o ambiente sobrenatural de Come Together. Lennon era um purista musical, apegado a suas raízes, calcadas no rock’n'roll, rythym’n'blues e country & western. Quem embarcou de cabeça na vanguarda musical dos anos 60, quem verdadeiramente viajou na explosão sonora lisérgica foi Paul McCartney, um perfeccionista dado a experimentos, colagens, finais falsos, mudanças tonais e delírios orquestrais.
Em contrapartida, sem o olhar crítico de Lennon, sem sua verve e sua wit britânica, os mais conhecidos standards de McCartney teriam sofrido perdas poéticas. A letra reflexiva de Yesterday (inicialmente intitulada “Scrambled Eggs” – ovos mexidos, quando Macca tinha na cabeça apenas uma melodia sem palavras) foi uma clara resposta de Paul ao amadurecimento da poesia de John em I’m A LoserHelp! e You’ve Got To Hide Your Love Away. Lennon emprestava às baladas e canções pop de McCartney uma lucidez e uma sobriedade fundamentais. Ele sabia reprimir o banal e fomentar o sublime. Foi sentando-se ao lado do companheiro que Paul ganhou confiança para manter na íntegra os versos mais ousados de The Fool On The Hill e Hey Jude. Duas letras de primeira grandeza.
Em algumas canções, um ligeiro toque de Lennon fazia a diferença entre o excelente e o genial. A melhor estrofe de We Can Work It Out é de John: “Life is very short / and there’s no time / for fussing and fighting my friend”. Sem a intervenção cirúrgica do autor de Being For The Benefit of Mr. Kite e Happiness Is A Warm Gun, tampouco haveria em Eleanor Rigby a estranheza surrealista dos versos: “Waits at the window / wearing the face / that she keeps in the jar by the door /Who is it for?”. Do mesmo modo, a entrada em cena de John – na voz dos pais desesperados – é indispensável a She’s Leaving Home, talvez a mais comovente e perene canção sobre o conflito de gerações e a juventude drop-out. Canção que inspirou o nosso Rubem Fonseca a escrever a obra prima Lúcia McCartney.
A sombra ameaçadora de Lennon fornecia ainda combustível para os ímpetos rockeiros de seu parceiro e rival. Canções como I’m Down Why Don’t We Do It In The Road foram feitas por Paul para mostrar a John que conseguia ser ainda mais primitivo que ele. E Get Back - o melhor rocker de toda a obra dos Beatles – nasceu da (compreensível) irritação de Paul com Yoko e do seu desejo de deixar bem claro quem continuava a ser o dono do pedaço.
Mas como a dialética é uma via de mão dupla, também o lado suave de Lennon se nutria da presença benfazeja de Paul. A belíssima melodia de In My Life é puro McCartney e gemas preciosas como GirlBecause ou Julia têm as impressões digitais do parceiro por todos os lados, ainda que tenham sido escritas na mais monástica solidão.
Nietzsche atribui o caráter dionisíaco aos nossos impulsos rebeldes, subjetivos, irracionais, apaixonados, lunares; forças do transe e da intoxicação, que questionam e subvertem a ordem vigente. Em contrapartida, designa como apolíneas as nossas tendências ordenadoras, objetivas, racionais, serenas, solares; forças do sonho e da profecia, que promovem e aprimoram o ordenamento do mundo. Ao se unirem, tais forças teriam criado, a seu ver, a mais nobre forma de arte que jamais existiu.
Como criadores, tanto o metódico Paul McCartney quanto o irrequieto John Lennon expressavam à perfeição a dualidade proposta por Nietzsche, que ouso traduzir pelos termos Apaulíneo e Johnisíaco. Lennon punha o mundo abaixo; McCartney construía novos monumentos. Lennon abria mentes; McCartney aquecia corações. Lennon trazia vigor e energia; McCartney impunha senso estético e coesão. Não raro, os papéis se alternavam, se complementavam, se fundiam.
Quando os Beatles se separaram, essa magia se rompeu. John e Paul se tornaram compositores com altos e baixos; intérpretes com falhas às vezes evidentes. Fizeram coisas boas. Deram material para compilações de peso. Mas raramente se aproximaram da perfeição alcançada pelo quarteto. Sem a presença instigante de Lennon, Paul começou a patinar em letras anódinas e baladas açucaradas. Seus rockers perderam a força vital e muitos arranjos deixaram de ser pautados pelo sentido da boa medida. A alma negra embranqueceu. Não se tornou um compositor ruim. Mas se aproximou perigosamente de Elton John e Burt Bacharach. Mesmo Band On The Run parece por vezes um Abbey Road sem dentes. É música de grande qualidade. Mas os Beatles faziam melhor.
Do mesmo modo, John sofreu com a falta de Paul. Plastic Ono Band, embora genial, é um verdadeiro festival de excessos idiossincráticos. Em Imagine, John ensaia um bem-sucedido retorno à estética Beatle, mas logo em seguida a presença de Yoko irá se impor, destruindo o equivocado Sometime in New York City.
Ironicamente, o grande disco dos ex-Beatles, a verdadeira obra-prima, acabou sendo All Things Must Pass, o álbum triplo em que George Harrison deglutiu os antigos companheiros de banda, abrindo as comportas de sua produção musical, represada durante uma década à sombra de John e Paul. E foi assim, por estranhos caminhos antropofágicos, que a dialética de Lennon & McCartney brilhou pela última vez.
Por Marcelo O. Dantas / Publicado na Revista Piauí



terça-feira, janeiro 29, 2013

mínimo mim...


Mínimo mim
Carlos Wagner

Nunca pensei, bem sei, eis que vi,
senti, não falei: "farei diferente".
Pensei, 
eu sei, segui quimeras,
arde a lembrança... 
Santas são tantas as açodadas ações, ordinárias e profanas,
fantasias crédulas que me entusiasmaram,
mesmo que cismado.
Por isso, dúvidas...
E só por vício, se fez virtuoso o ócio desejado,
eixo de mim, central nervosa de impulsos de minha velha alma sem pulso forte,
objeto-sujeita de influências do in-conhecimento,
sub-cônscio daquilo que permanece por trás de todas as minhas ações, credo, encruzilhadas, ilhadas noções a meu respeito,
aberto em flor de Baudelaire, hermético sentido disso tudo que só eu quase sei..."quer saber?",
nunca pensei aqui ordinariamente,
como linear processo,
e, possessão, agia em mim uma ordem:
“ser livre”, inclusive de mim,
Ó mistério insondável.
Indeléveis registros de memória.
Nunca pensei assim consciente.
Nunca previ, preveni, matutei teias urdidas, não, nunca imaginei,
só senti: a ordem, a inclinação, a urgência...
ciente da liberdade que, bem sei,
aguarda com asas abertas, tudo e todos.

Nunca pensei, ou... sempre bem sei, e é assim,
quando não penso em mim,
quando o silêncio invade o mim mínimo...
isso eu sei!

Carlos Wagner

segunda-feira, janeiro 21, 2013

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/alexandro-rodrigues-dilma-ve-se-aprende-a-nos-tirar-para-dancar.html


Alexandro Rodrigues: Dilma, vê se aprende a nos tirar para dançar!


publicado em 21 de janeiro de 2013 às 17:00
Alexandro Rodriguesem comentário aqui
O melhor texto já escrito pelo Azenha no blog! Conheço bem essa sensação de pertencimento!
Sou filho de uma empregada doméstica e de um ex-porteiro aposentado. Nordestinos, semi-alfabetizados. Por uma questão biológica nasci com um insuportável temperamento e desde cedo, mesmo com as dificuldades, sabia que não iria sucumbir ao “futuro” que a elite brasileira reservava pra gente como eu.
Lula me tirou pra dançar e eu cai na pista de dança do mundo. Sou fruto do ProUni e se hoje estou no exterior estudando e com uma brilhante perspectiva de futuro, isso é reflexo da dança que o PT ofereceu a todos os brasileiros.
Erros, hipocrisias, crimes ou malfeitos, chamem do que quiser. Claro que o PT os comete também. O PT é fruto do Brasil. Os políticos brasileiros são reflexo da nossa sociedade e eu, mesmo que me sentindo a vontade de dizer “obrigado Lula”, não me nego o direito que tenho de criticar quando acho necessário.
Mas o fato é que apesar de tudo, dos erros e acertos, nunca antes na história brasileira um partido político trabalhou tanto para tentar oferecer aos brasileiros um direito incondicional: cidadania.
A frase final do Azenha reflete isso. Obrigado por ter nos tirado pra dançar Lula… e vê se aprende, Dona Dilma!

terça-feira, janeiro 15, 2013

Rotas de busca

...me perco nas curvas e retas rotas de fuga, gastas, que gosto de imã ginar magnetos inclusos, encontrando tanto entrando e saindo, benvindo, sorrindo, indo do indômito mito ao tosco colorido...e ri do colo dolorido, dores dolores durante, de antes e de depois de tudo perdido numa viagem fácil, easy rider terminal, de algures, lugares lúgubres  de ares a brechas de bertold old.  
Odiei-te, virulenta rima trocadalha do Caribe.
...me perco nas eretas retas do meu falo, ar baixo, sibilando num falar baixo calão nas entre pautas do meu caderno em branco...
Que fique assim, redondas em torno de mim só....  

Carlos Wagner



sexta-feira, dezembro 28, 2012

Flávio Gikovate
Muito esclarecido e esclarecedor.
Vale a pena assistir!

http://www.youtube.com/watch?v=l-gYMAE-KHc&NR=1&feature=endscreen

sexta-feira, dezembro 21, 2012

Cinema Secreto: Cinegnose: A necrospectiva do fim do mundo


Teorias do fim, teologia, religiões e escatologia...
Tudo isso num texto bem escrito e aberto...
Vamos lá!




Cinema Secreto: Cinegnose: A necrospectiva do fim do mundo

domingo, dezembro 16, 2012

Cântico de Natal


De Wellington Kalil
Querido Irmão Carlos Wagner, mais que poeta, que vem de lá onde a poesia é incrustada com as cores e as armas da pedra de jade, bem-aventurado das terras de Poetribulações, eu também te saúdo “com o olho dos poros da pele eletrizados “ que linda aliteração essa aí, e ninguém vê? Ninguém consegue ver o que o poeta diz, nem o que a poesia quer dizer: “bebendo do que se apresenta aos sentidos alertas/ Abertas passagens para o ser em crise...”, isso sim é cante barra pesada , a palo seco, como diria João Cabral de Melo Neto, eu toquei a palavra cortante como se fosse o êxtase de uma guitarra, e pensar que mal começamos a viver, e mal sabemos o que está “atrás de seu íntimo sentido”, gosto de ler o que você faz, gosto muito de dedilhar o desenho que suas cordas projetam, ainda que para isso se tenha que entender o “essencial domínio do meu eu assustado./ Um menino medroso”. Que bom podermos moldar o canto com o éter, misturar vento, fogo, terra  e a libido das águas, façamos enquanto é tempo, o quanto pudermos. Então, eu envio o meu cântico: 
CARTA DE NATAL-
Enfim distintos parceiros inesquecíveis amigos sedentos alcoólatras do impecável álcool da palavra e deste trânsito em que faço jus às bem traçadas linhas rebentos do punho matemático desta máquina que ora me assiste
Onde não se desatam dúvidas como nos meus sentimentais garranchos
Através do qual (punho matemático) aproveito para chapar os meus protestos de um Feliz Natal e Próspero Ano Novo como manda o figurino
Faço votos de que o tenhais desfrutado enquanto fruto de boas festas como se fosse carnaval ou um dia de clássico de futebol  
Informo-vos que logo voltaremos ao ângulo da realidade daqui a pouco a casa caiu
                        Fogos de artifício a dança crocante das especiarias na ampola pop dos lábios mesas amendoadas castanholas de beijos e abraços cobertura de sonhos e sorrisos doces assados dourados de dar água na boca serão cinzas cinzas e nada mais
                        Que nada sobreviverá ao buraco negro das vaidades restará talvez um enfadonho clip caseiro no eclipse total de coisa engavetada quiçá impossível de ver rever ouvir
Mas por favor não ignorem o que solenemente e do fundo da minha desconhecida alma eu deixei escapar como um Feliz Natal é que eu me entrego numa poção de cauim com enredo de benjoim onde sangra um rock’n’roll banhado em flechas com zanga de curare
Talhado no venerável alfanje de minha querida mãe Iansã mulher de Xangô
Era tudo o que eu queria era o presente que me redimia
Sinceramente, 
Wellington Kalil 

segunda-feira, dezembro 10, 2012

Reflexão sobre o desânimo no Caminho


Reflexão sobre o desânimo no Caminho
Carlos Wagner

Quando bate uma natural cegueira e, por isso, um desânimo quanto à meta à nossa frente, é preciso ter calma.
Refletindo sobre a às vezes crueza da caminhada rumo à autorrealização, deparamo-nos com momentos de prostração e falta de ânimo. O mundo parece ser uma insensata esfera, um lugar sem sentido, sem beleza e sem ar. O caminho do autoconhecim
ento nem sempre nos agrada, pois revela nossa alma pequena, carente, sem o brilho da Luz verdadeira. Queremos um colo, ficamos inquietos e, muitas vezes, rebeldes com a natureza de nossa situação. “Por que mesmo fui escolher este caminho?”

Nessas horas, parece que vamos sucumbir ante tão magna tarefa de buscar o Espírito, ou pelo menos de criar condições para que Ele possa encontrar acolhida em nosso sistema, em nossa consciência. E então, mais fácil nos parecerá entregar os pontos e nos entregarmos à normalidade da vida humana, da mesmice dos homens que vivem como uma manada pronta para absorver o alimento astral da vida mesquinha. E o normal é a burguesa vida de satisfazer nosso ego infantil, velhaco e astuto, mas infantil. E então, pensamos assim: “a vida da humanidade é assim mesmo, não há nada além do cotidiano sofrer e ter prazer, da dor e das delícias que são mesmo efêmeros, que passam e nos encontram “assim”, de bem, ou “assado”, de mal com tudo e com todos.”
Nosso desânimo nos impele para uma aceitação fácil de que “não vale a pena o esforço, a luta pela subida ao monte à procura do mestre”.

Pobre decisão essa que nos faz pensar que o caminho é longo demais, que a luta é ilusória, e que o certo é deixar a vida seguir um curso medíocre porque assim deve ser, e que, iludidos sonham os espiritualistas que se entregam a uma vida de busca e de dedicação, acreditando num bem maior.

Que fazer, perguntamos, se nossas forças se foram? Como suportar a solidão dessa ilha de Patmos? Sim, traindo João, queremos fugir para a normalidade da vida burguesa, em multidão, em entrega aos prazeres possíveis, posto que certos, como um ser humano comum?

Talvez aí nossas incertezas sejam caladas e abafadas, nossa consciência fique adormecida e nosso sofrimento de peregrino termine. Que alívio!

Pobre ilusão! Mais cedo ou mais tarde essa tarefa da autorrealização terá de ser enfrentada, pois a vida humana nesse fim de mundo cósmico é a vida de porcos perdidos no lodaçal da casa prisão, cármica, e que daqui todos nós teremos que sair um dia a convite do Pai das Luzes, para o que, foi traçada uma trilha única que começa no coração, e que conduz para fora da casa da servidão. Mais cedo ou mais tarde, com uma dívida talvez maior, teremos de enfrentar o caminho sempre difícil da autorrealização.

Que seja agora então, para aqueles que sabem que não há tempo a perder! Vençamos esse momento de desânimo, firmemos as pernas, fixemos nosso olhar no horizonte à frente e não desistamos da corrida em busca do ouro do Espírito! O Próprio ouro nos impulsionará nessa empreitada.

Carlos Wagner

Todos novos em Capetinga

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Olha aí o pessoal lá de antes...

O lobo da estepe - Hermann Hesse

  • O lobo da estepe define minha personalidade de buscador

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