Pat Metheny e Charlie Haden
Jazz muito gostoso.
http://www.youtube.com/watch?v=44tZYqw3oJ8&feature=player_embedded
quinta-feira, julho 26, 2012
segunda-feira, julho 23, 2012
Telo Borges: TRISTESSE E O GRAMMY
Telo Borges: TRISTESSE E O GRAMMY: No meu primeiro cd " vento de maio" tem na última faixa um tema instrumental que eu fiz inspirado num show maravlhoso que eu vi aqui em bh d...
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segunda-feira, julho 16, 2012
Rabindranath Tagore
46 - do "Gitanja `Li"
coleção Rubáyát
Não sei de que distantes tempos está
sempre vindo, cada vez mais perto,
ao meu encontro.
O teu sol e as tuas estrelas nunca
poderão esconder-se de mim para sempre.
Por várias manhãs e várias tardes os
teus passos foram ouvidos e o teu
mensageiro entrou no meu coração
e chamou-me em segredo.
Não sei porque está tão agitada hoje
a minha vida, e porque me está
atravessando o coração um sentimento
de trêmula alegria.
É como se estivesse chegado a hora
de dar por findo o meu trabalho;
e sinto no ar um aroma da tua presença.
________________________________________________
09 - do "Gitanja `Li"
coleção Rubáyát
Ó insensato, que tentas carregar-te a ti mesmo sobre teus próprios ombros! Ó mendigo, que vens mendigar à tua própria porta!
Deixa teus fardos todos nas mãos de quem tudo pode sustentar, e não olhes nunca para trás com pesar.
Teu desejo apaga a luz da lâmpada, mal seu sopro a alcança. Ele é ímpio - não receba das suas mãos sórdidas os teus dons. Aceita apenas o que é oferecido pelo amor sagrado.
Rabindranath Tagore, um grande do Espírito, deixou-nos poemas e poesias que nos tocam em nossa mais profunda busca pelo ser de Deus que está em nós.
_______________________________________________________
Disse um escritor em um prefácil: A poesia tagoreana conduz a uma visão de santidade, de serenidade, na contemplação geral - visão que as gerações atuais mal podem compreender, (...) No entanto, talvez toda essa trepidação seja momentânea e superficial. Não será impossível o renascimento de Tagore, quando esta onda turbulenta e caótica se acalmar, quando os jovens acreditarem na supremacia do Espírito sobre todas as coisas e a sabedoria não for ignorada no Ocidente tão técnico. (...) Tagore guarda em suas palavras e em sua figura uma expressão de eternidade que o torna um fantasma esplêndido.
46 - do "Gitanja `Li"
coleção Rubáyát
Não sei de que distantes tempos está
sempre vindo, cada vez mais perto,
ao meu encontro.
O teu sol e as tuas estrelas nunca
poderão esconder-se de mim para sempre.
Por várias manhãs e várias tardes os
teus passos foram ouvidos e o teu
mensageiro entrou no meu coração
e chamou-me em segredo.
Não sei porque está tão agitada hoje
a minha vida, e porque me está
atravessando o coração um sentimento
de trêmula alegria.
É como se estivesse chegado a hora
de dar por findo o meu trabalho;
e sinto no ar um aroma da tua presença.
________________________________________________
09 - do "Gitanja `Li"
coleção Rubáyát
Ó insensato, que tentas carregar-te a ti mesmo sobre teus próprios ombros! Ó mendigo, que vens mendigar à tua própria porta!
Deixa teus fardos todos nas mãos de quem tudo pode sustentar, e não olhes nunca para trás com pesar.
Teu desejo apaga a luz da lâmpada, mal seu sopro a alcança. Ele é ímpio - não receba das suas mãos sórdidas os teus dons. Aceita apenas o que é oferecido pelo amor sagrado.
Rabindranath Tagore, um grande do Espírito, deixou-nos poemas e poesias que nos tocam em nossa mais profunda busca pelo ser de Deus que está em nós.
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Disse um escritor em um prefácil: A poesia tagoreana conduz a uma visão de santidade, de serenidade, na contemplação geral - visão que as gerações atuais mal podem compreender, (...) No entanto, talvez toda essa trepidação seja momentânea e superficial. Não será impossível o renascimento de Tagore, quando esta onda turbulenta e caótica se acalmar, quando os jovens acreditarem na supremacia do Espírito sobre todas as coisas e a sabedoria não for ignorada no Ocidente tão técnico. (...) Tagore guarda em suas palavras e em sua figura uma expressão de eternidade que o torna um fantasma esplêndido.
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domingo, julho 08, 2012
Uma reflexão
Carlos Wagner
Buscando uma reflexão sobre "religião" e também sobre "espiritualidade", com aspas provocantes...
É possivel perceber que muitas religiões poderiam mesmo ser chamadas de materialistas e pouco espirituais, tendo em vista o foco na matéria, seja pelo medo, seja pela vontade de ter sucesso na vida material, de não ter doenças, e de não ser próspero.
Tudo bem, pois cada um tem a sua fé. Já diz um aforismo dos Rosacruzes que "onde estiver o teu coração, ali estará o teu tesouro". E onde está o coração de cada um?
A que me dedico cotidianamente?
A palavra religião nos remete diretamente à expressão "religação". Sendo assim, por esta via, religião é imprescindível na vida de todos os seres. Todos, desligados da origem "Espiritual", com o "E" maiúsculo, se dedicam à essa religação. Gandhi dizia aos cristãos que o interpelavam: - Aceito o teu Cristo, mas não o o teu cristianismo.
Pois aí está o grande perigo. Não há culpa nas "religiões" quando elas se tornam sectárias e totalitárias, mas sim nos religiosos. O religioso pode muito bem ser um ser egoísta e materialista, independente de sua fé numa religião. Eles podem usar a religião em interesses próprios, e quase sempre inconfessáveis! Talvez até defendam um nucleo de poder instituído onde somente a sua ideia de "deus" e de "messias" sejam a única religiosidade a existir. Muitos adoram a Bíblia, o Alcorão, ou outros livros sagrados, outros vivem repetindo Paulo, Buda ou Krishna. Vivem mesmo pendurados em dogmas e pouco se conhecem. Quando se juntam e criam "religiões", criam grupos de religiosos, vivificam um "espírito grupal" e caminham sem se perguntarem se assim são realmente transformados. Mas o grupo lhes dá uma ilusão de proteção. E a verdadeira "espiritualidade" passa longe do Espírito.
Desta forma, devemos estar atentos com relação a tudo que fazem os "religiosos", homens e mulheres comuns e carentes do Amor Maior que a ninguém exclui, "sem ascepção de pessoas", sejam devotas, pecadoras, descrentes, tementes ou temerosas.
Onde está o teu coração? A que tesouro buscas?
Carlos Wagner
Carlos Wagner
Buscando uma reflexão sobre "religião" e também sobre "espiritualidade", com aspas provocantes...
É possivel perceber que muitas religiões poderiam mesmo ser chamadas de materialistas e pouco espirituais, tendo em vista o foco na matéria, seja pelo medo, seja pela vontade de ter sucesso na vida material, de não ter doenças, e de não ser próspero.
Tudo bem, pois cada um tem a sua fé. Já diz um aforismo dos Rosacruzes que "onde estiver o teu coração, ali estará o teu tesouro". E onde está o coração de cada um?
A que me dedico cotidianamente?
A palavra religião nos remete diretamente à expressão "religação". Sendo assim, por esta via, religião é imprescindível na vida de todos os seres. Todos, desligados da origem "Espiritual", com o "E" maiúsculo, se dedicam à essa religação. Gandhi dizia aos cristãos que o interpelavam: - Aceito o teu Cristo, mas não o o teu cristianismo.
Pois aí está o grande perigo. Não há culpa nas "religiões" quando elas se tornam sectárias e totalitárias, mas sim nos religiosos. O religioso pode muito bem ser um ser egoísta e materialista, independente de sua fé numa religião. Eles podem usar a religião em interesses próprios, e quase sempre inconfessáveis! Talvez até defendam um nucleo de poder instituído onde somente a sua ideia de "deus" e de "messias" sejam a única religiosidade a existir. Muitos adoram a Bíblia, o Alcorão, ou outros livros sagrados, outros vivem repetindo Paulo, Buda ou Krishna. Vivem mesmo pendurados em dogmas e pouco se conhecem. Quando se juntam e criam "religiões", criam grupos de religiosos, vivificam um "espírito grupal" e caminham sem se perguntarem se assim são realmente transformados. Mas o grupo lhes dá uma ilusão de proteção. E a verdadeira "espiritualidade" passa longe do Espírito.
Desta forma, devemos estar atentos com relação a tudo que fazem os "religiosos", homens e mulheres comuns e carentes do Amor Maior que a ninguém exclui, "sem ascepção de pessoas", sejam devotas, pecadoras, descrentes, tementes ou temerosas.
Onde está o teu coração? A que tesouro buscas?
Carlos Wagner
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sexta-feira, abril 27, 2012
segunda-feira, abril 23, 2012
http://www.advivo.com.br/documento/a-educacao-que-temos-e-a-sociedade-que-queremos
A educação que temos e a sociedade que queremos
Enviado por Rubens Salles, qui, 11/08/2011 - 14:50
Há décadas ouvimos o discurso de que é preciso melhorar a qualidade da educação no Brasil, de que essa qualidade é essencial para o desenvolvimento do país etc etc. Hoje, vários programas públicos, assim como movimentos da sociedade civil, carregam esta bandeira, mas o que é, afinal, esta qualidade? Que qualidade queremos? O Plano Nacional de Educação, avaliado em 2010, só teve 33% das suas metas cumpridas, entre 2001 e 2008, e foram apenas as metas quantitativas. Das metas qualitativas nada foi conseguido, muito pelo contrário, elas pioraram. A taxa de repetência no ensino fundamental aumentou de 21,7% em 2001, para 27,7% em 2007, e a evasão no ensino médio aumentou de 10% em 2006, para 13,2% em 2008.
Depois de tantos planos fracassados2, fica claro que a raiz deste problema ainda é desconhecida pelos nossos gestores públicos. Reconhecidos estudiosos da educação, como Edgar Morin3, Francisco Imbernón4, Saturnino De La Torre5, Isabel Alarcão6 e tantos outros, já nos alertam há anos que o grande obstáculo para oferecermos uma educação adequada às demandas do nosso tempo, se encontra no âmbito das relações humanas, na qualidade das relações humanas na escola, em especial durante o ensino infantil e fundamental, um período fundamental para o desenvolvimento humano.
No Brasil, o foco da relação do professor não é com os alunos, mas com o conteúdo, e os sistemas oficiais de avaliação do ensino, focados em notas, também estimulam esta cultura. Embora a formação em pedagogia, teoricamente, prepare o professor para lecionar em qualquer ano do ensino infantil ou fundamental de 1º ao 5º ano, ele se especializa no conteúdo relativo a um único ano escolar, e a cada ano pega uma nova turma de alunos para ensinar o mesmo conteúdo. Assim, ele não se compromete com o desenvolvimento e o sucesso futuro dos alunos. Se a criança tem dificuldades é cômodo transferir a culpa para a família ou o para o professor anterior, e ela será problema do próximo professor. Também é fato que, para se manter com um baixo salário, é comum o professor assumir uma carga horária muito alta, trabalhando em vários períodos, o que inviabiliza um envolvimento mais profundo com seus alunos. Nossas políticas públicas não estimulam o comprometimento do professor com o desenvolvimento individual dos alunos por longo prazo, nem uma aproximação efetiva do professor com as famílias, e, no fim, ninguém é responsabilizado pelo fracasso de um aluno.
Devido à pressão que a sociedade impõe ao poder público pela melhoria da qualidade na educação, governantes, assim como gestores de escolas privadas, tentam resolver o problema comprando “sistemas de ensino” apostilados, que não têm relação com as necessidades individuais dos alunos e nem com a identidade de suas comunidades. Com estes sistemas “economiza-se” o tempo para preparar aulas. Assim, os professores podem ter os vários empregos que precisam, pois os salários continuam baixos, e eles não têm tempo para dedicar ao seu aprimoramento e aos seus alunos. É a pura lógica industrial: investe-se nos sistemas e economiza-se na mão de obra. Assim a qualidade de vida dos professores vai para o ralo e a qualidade da educação vai junto. Adotar estes sistemas equivale a obrigar pessoas que podem andar a usar muletas. Eles já atingem milhões de crianças brasileiras, e quem mais se beneficia são as editoras que os vendem7. A educação, principalmente a infantil e fundamental, não pode ser tratada como se fosse apenas um treinamento, desvinculada das relações humanas e da individualidade dos alunos, e os professores como se fossem incapazes de criar e planejar suas aulas. Isso tira a autonomia da escola, engessa e massifica o ensino, relega os professores a meros coadjuvantes, a aplicadores de tarefas e testes, tolhendo seu protagonismo, e perpetua o status quo8.
Sabemos que a educação é radical: ela é a raiz do bem ou raiz do mal. O que chamamos de escolas públicas, no Brasil, são, na maioria, escolas estatais, obrigadas a seguir programas impostos pelo estado, escolas sem “alma”, que cerceiam a criatividade e a iniciativa dos professores, e, como consequência, desestimulam a criatividade, a iniciativa e o interesse dos alunos. Aí os jovens chegam ao ensino médio despreparados e desmotivados, sem acreditar na escola, nem nas suas próprias chances de sucesso, e acabamos com o “apagão” de mão de obra que o país enfrenta hoje9.
Neste cenário, fica claro que nossa educação básica se perdeu do fator humano. As crianças não precisam da escola apenas para serem instruídas, elas precisam para se desenvolver como seres humanos. Embora esta seja uma responsabilidade primordial da família, sabemos que a escola é um ambiente privilegiado para o desenvolvimento de valores como a responsabilidade, a solidariedade, a sociabilidade, a tolerância, a inclusão, a justiça, a democracia, a diversidade, a cidadania e a sustentabilidade, entre outros.
Sem pretender esgotar aqui este assunto, relaciono alguns princípios que considero condicionantes para uma educação de qualidade, com base nas relações humanas e na educação como arte social, e que podem ser um caminho para enfrentarmos nosso maior desafio: substituirmos a cultura do consumismo pela da sustentabilidade10.
O professor como formador comprometido com o sucesso do aluno
O êxito da educação básica depende, em primeiro lugar, da qualidade da relação humana entre professor e aluno. Tanto no ensino infantil, como no fundamental, o foco do professor precisa deixar de ser apenas o conteúdo, e passar a ser o aluno, e seu desenvolvimento como ser humano completo, que pensa, se sensibiliza, se relaciona e atua no mundo. A mudança deste paradigma é essencial para que outras transformações sejam conseguidas. Tanto no ensino infantil quanto no fundamental, é preciso criar a possibilidade e incentivos para que cada professor se comprometa com a condução de sua turma pelo maior tempo possível, e com o sucesso individual de seus alunos.
No ensino infantil, isso seria por cerca de três anos. No ensino fundamental, o professor formador poderia acompanhar sua turma do 1º ao 5º ano, ministrando as atividades e matérias básicas. Aulas de música, língua estrangeira, educação física, trabalhos manuais etc. podem ser ministradas por professores especialistas. O professor formador precisa conhecer a fundo cada aluno, seu temperamento, suas qualidades e dificuldades, e conhecer sua família, para poder atuar da melhor forma com cada um, assumindo perante os pais o compromisso de conduzi-lo em sua formação. Deve preparar suas aulas a partir de seu conhecimento sobre o desenvolvimento humano, sua visão de mundo, os conteúdos curriculares e o conhecimento sobre seus alunos e, claro, deve poder dedicar-se a apenas uma turma. Nas séries superiores do ensino fundamental os professores com licenciatura também deveriam ter estímulo para acompanhar suas turmas. Desta forma se fortaleceria também o vínculo dos professores com as escolas.
Como o exemplo pessoal do professor, independentemente de sua vontade, influencia na formação moral e social dos alunos, principalmente durante o ensino infantil e o fundamental, ele precisa se preparar para ensinar a responsabilidade sendo responsável e coerente em suas atitudes, ensinar a justiça sendo justo com todos os alunos, ensinar a solidariedade sendo solidário, ensinar a inclusão, incluindo, ensinar respeito, respeitando seus alunos, e, para entusiasmá-los pelo conhecimento, precisa ensinar com entusiasmo.
Este modelo de relação entre professor e aluno não é novo. É aplicado nas escolas que adotam a pedagogia Waldorf no Brasil, há mais de 50 anos11. Nestas escolas há professores formadores no ensino infantil e no fundamental. No fundamental os professores acompanham sua classe do 1º ao 8º ano, ministrando as matérias básicas. Eles recebem as crianças todos os dias na porta da classe, e as cumprimentam pegando em sua mão, desejando bom dia a cada uma, dizendo seu nome e olhando nos seus olhos. No fim das aulas se despedem da mesma forma. Assim, cada criança sente que foi olhada e percebida por seu professor, e que está no foco de sua atenção. Esta simples atitude já muda a disposição com que a criança recebe o que vem deste professor.12
A independência pedagógica da escola
Tudo que nossa civilização criou até hoje foi, em última instância, fruto de realizações individuais. Portanto, é fundamental estimular cada indivíduo a desenvolver suas capacidades próprias, e só o professor é capaz de enxergar o aluno como indivíduo. O Estado e as editoras não conseguem. Assim, cada professor precisa ter a liberdade de atuar com seus alunos. Esta liberdade não significa que as matérias exigidas pelos programas oficiais de ensino não sejam contempladas. Significa a forma como serão ensinadas e o momento, assim como a inclusão de matérias adicionais, principalmente no âmbito das artes e dos trabalhos manuais. O projeto educativo de uma escola deve ser livre da tutela estatal, tendo como base sua comunidade educadora, e partilhado por professores que experimentem em si próprios a liberdade, a responsabilidade e o protagonismo. A partir de professores livres, poderemos formar homens livres, com autonomia para escolher seu próprio caminho e novos caminhos para a humanidade.
O aprendizado deve ser prazeroso
Como Heródoto já disse há 24 séculos, “educar não é encher um balde, é acender um fogo”. A indisciplina que os professores do ensino fundamental enfrentam hoje ocorre porque suas aulas são focadas apenas no ensino cognitivo, como se esta fosse a única característica humana que precisasse ser desenvolvida. Ficam somente no exercício do Pensar, desprezam o desenvolvimento do Sentir e do Querer. Ocorre que as atividades ligadas ao Pensar sempre exigem “concentração”, e as aulas ficam chatas, pois crianças não aguentam só se concentrarem. Já as atividades ligadas ao desenvolvimento do Sentir e Querer permitem uma “descontração” e, quando as três são intercaladas, cria-se um ritmo mais saudável e produtivo, pois a aula “respira”. Os alunos passam a gostar das aulas e o professor se estressa muito menos para lecionar. Se o professor não cria momentos de descontração conduzidos por ele, os alunos criam por conta própria. A indisciplina deve ser encarada como um pedido de socorro dos alunos13.
O Sentir desenvolve-se por meio da vivência das relações humanas, pelo contar histórias (contos de fadas, lendas, fábulas, mitos, biografias etc.)14, pela interpretação musical, declamação de poemas15, rodas rítmicas, jogos, representação teatral etc. Interpretando personagens a criança e o adolescente vivenciam as qualidades que influirão na formação de seu caráter.16
O Querer, o fortalecimento da vontade, desenvolve-se exercitando a criação individual por meio de atividades que exigem uma ação manual transformadora, como criar um texto, um desenho, uma pintura, uma escultura, um trabalho em madeira e diversos tipos de trabalhos manuais, tocar um instrumento etc. O aluno precisa criar algo a partir da sua imaginação, usando a vontade, a perseverança, a coordenação psicomotora e o senso estético. Este é um antídoto contra o bitolamento de seu modo de pensar, onde cada resultado conquistado fortalece sua autoestima.
As atividades artísticas devem ser utilizadas como instrumento pedagógico para potencializar o aprendizado das matérias básicas, e não apenas como matéria isolada, pois permitem que o professor promova a vivência lúdica dos conteúdos. Representar uma peça sobre as grandes navegações, vivenciando as ações e emoções dos navegantes, é muito mais rico e interessante do que decorar nomes e datas, além de promover a socialização entre os alunos. A formação completa do ser humano não pode prescindir da arte como instrumento, pois ela ajuda a libertar e desenvolver as mais profundas capacidades que cada criança traz consigo.17
E quanto às avaliações, elas não podem incutir nas crianças o medo de errar. Se os alunos não estiverem preparados para errar, nunca terão idéias originais, e a maioria chegará à idade adulta tendo perdido sua criatividade. Como não sabemos como será o mundo onde eles vão viver, e os desafios que terão que enfrentar, a criatividade precisa ser tratada com a mesma importância que a alfabetização.
Um novo papel social para o professor
Um professor que assume a responsabilidade, perante um grupo de pais, de conduzir a educação de seus filhos por um período importante de sua formação, passa a ter uma importância social muito maior do que um professor “de passagem”. Ele deve atuar entre os alunos de modo a promover o fluir e a harmonia das relações, e o desenvolvimento harmônico de suas capacidades humanas de pensar, sentir e querer, criando um ambiente saudável para o aprendizado18. Educar desta forma deve ser considerado uma obra de arte social, e o educador, um artista social. Exige um constante esforço de aprendizado e autoconhecimento, ambiente de trabalho apropriado, e o reconhecimento da importância deste trabalho refletido em sua remuneração e num plano de carreira adequado e estimulante. Os jovens que tiverem a educação conduzida desta forma poderão chegar ao ensino médio com outra disposição de espírito para o aprendizado, com outro nível de responsabilidade social, mais idealistas e menos céticos em relação a suas perspectivas de sucesso na vida.
Fomentar o processo de auto-educação, auto-conhecimento e auto-estima do educador como base sólida para a sua interação saudável com a criança, é uma política pública primordial. A carreira de professor para o ensino básico precisa urgentemente melhorar seu status, pois temos que atrair para ela nossos melhores e mais promissores jovens. E as universidades, por sua vez, precisam fazer seu mea culpa e renovar seus currículos, proporcionando um estudo aprofundando do desenvolvimento humano19, o estudo pedagógico dos temperamentos20 e das necessidades da criança em cada etapa de seu desenvolvimento. Devem focar a realização do ensino com sentido estético, e estruturado com atividades artísticas, preparando-os para serem protagonistas da educação. Também é fundamental a criação de um sistema de estágios que realmente prepare os novos professores para a atuação em sala de aula, e um amplo programa de formação continuada ministrado por formadores com vivência prática em sala de aula.
Educação de qualidade para uma sociedade sustentável
A qualidade da educação, considerada como o compromisso de promover o desenvolvimento do aluno como ser humano completo, que pensa, se sensibiliza, se relaciona e atua no mundo, só se sustenta pela competência, autonomia e dedicação de seus professores. Nenhum livro didático, computador ou recurso técnico substitui a qualidade da relação humana entre um professor preparado, motivado e entusiasmado com seu trabalho, e seus alunos. Nenhum método educativo supera ou substitui a palavra falada que vai de um ser humano a outro. Só um professor bem preparado, amparado pelo ambiente de trabalho, e dedicado, sustenta a qualidade de seu trabalho durante o tempo de duração de sua vida profissional. Qualificar a educação através da qualificação das relações humanas entre professores e alunos está na raiz da sustentabilidade ambiental, social e econômica. Só a vivência cotidiana sadia dos valores humanos pode estimular os jovens a darem mais valor às relações e qualidades humanas e à cultura, do que aos bens materiais e ao consumo. Para nos tornarmos uma sociedade sustentável, o paradigma cultural do sucesso e da felicidade pessoal precisa ser mudado do TER para o SER, para conseguirmos educar uma nova geração que consiga viver melhor, e ser mais feliz, consumindo menos21.
Os princípios aqui sugeridos já são aplicados nas escolas que adotam a pedagogia Waldorf, em mais de 80 países, nos 5 continentes, mas, como se pode perceber, são princípios universais e já existe pesquisa acadêmica sobre sua aplicação em escolas públicas no Brasil22. Eles podem contribuir para as profundas mudanças que precisamos efetuar na educação básica brasileira, se quisermos nos tornar uma sociedade mais humanizada, solidária, inclusiva, justa, democrática e sustentável.
Rubens Salles é mestre em Educação, Arte e História da Cultura, empreendedor social e pesquisador do Instituto ArteSocial. www.artesocial.org.br rubens@artesocial.org.br
NOTAS
- Folha de São Paulo dia 3/3/2010, caderno Cotidiano, pg. C1 e C3.
- Jornal da Tarde em 19/6/2008 - Durante a gestão de Gabriel Chalita na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, num período de 5 anos foram gastos 2 bilhões de reais em treinamento de professores, sem que houvesse melhora no resultado dos alunos.
- Edgar Morin. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. São Paulo: Editora Cortez e Edições UNESCO, 2002.
- Francisco Imbernón. Formação Docente e Profissional, São Paulo: Editora Cortez, 2006.
- Saturnino De La torre. Estrategias Didácticas Innovadoras y Creativas. Barcelona: UNED Aula Aberta, 2008.
- Isabel Alarcão. Escola Reflexiva e Nova Racionalidade. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.
- DCI Diário Comércio e Indústria em 23/7/2010 - O SEB, Sistema de Educação Brasileiro, um destes grupos, foi vendido para o grupo britânico Pearson Education por R$ 613,278 milhões.
- José de Souza Martins, Prof. Emérito da Faculdade de Filosofia, Letra e Ciências Humanas da USP – jornal O Estado de São Paulo em 23/5/2010 - “Toda prontidão, patriótica aliás, que nossos educadores já tiveram em tempos idos perdeu-se nas últimas décadas, na mentalidade redutiva e copista que transformou a escola em pobre imitação da fábrica. Sindicalismo e produtivismo aboliram a criatividade do educador [...]”.
- Diário da Grande ABC em 31/5/2010 - Empregadores têm mais dificuldades na hora de contratar no Brasil - 64% dos quase mil entrevistados apontaram que faltam profissionais adequados para preencherem as vagas - o segundo maior índice em ranking mundial.
- Relatório “Estado do Mundo 2010” – Worldwatch Institute e Instituto Akatu, disponível em http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/10920.
- Frans Carlgren e Arne Klingborg. Educação para a Liberdade – a Pedagogia de Rudolf Steiner. São Paulo: Escola Waldorf Rudolf Steiner, 2006.
- Mathias Riepe - Jon McAlice e Nana, Göbel et al (Coord.). Pedagogia Waldorf –Catálogo da 44ª reunião da Conferência Internacional de educação da UNESCO. Genebra: UNESCO, 1994.
- Rudolf Lanz. A Pedagogia Waldorf. São Paulo: Editora Antroposófica, 1990.
- Sueli Pecci Passerini. O Fio de Ariadne: Um Caminho para a Narração de Histórias. São Paulo: Editora Antroposófica, 1998.
- Ruth Salles. Aprendendo com Poesia. São Paulo: Instituto ArteSocial, 2003.
- Ruth Salles. Coleção Teatro na Escola – São Paulo: Editora Peirópolis e Instituto ArteSocial, 2007.
- Rudolf Steiner. Coleção A Arte da Educação. São Paulo: Editora Antroposófica, 2007.
- Elaine Marasca. Saúde se Aprende, Educação é que Cura, São Paulo: Editora Antroposófica, 2010.
- Bernard Lievegoed. Desvendando o Crescimento: As Fases evolutivas da Infância e da Adolescência. São Paulo: Editora Antroposófica, 1994.
- Rudolf Stenier. O Mistério dos Temperamentos. São Paulo: Editora Antroposófica, 2002.
- Patrick Viveret. Reconsiderar a Riqueza. Brasília: Fundação Universidade de Brasília, 2006.
- Rubens Salles – Formação Continuada com Base na Pedagogia Waldorf: Contribuições do Projeto Dom da Palavra. Dissertação de Mestrado, Mackenzie 2010. Disponível em http://www.artesocial.org.br.
Arquivo:
segunda-feira, abril 16, 2012
Arte Longa
Geraldo Azevedo
O mundo é grande
Para nossos desencontros
A arte é longa
A vida breve e fim
Mas como pode um mar assim tão grande
Caber num mundo tão pequeno assim
Meu violão não pesa muito
Carrega tantas canções
Fico pensando se um amor dos grandes
Pode habitar pequenos corações
Meu sapato carregado de distâncias
O meu chapéu de sonhos sem fim
Fico pensando e por mais que eu ande
Eu não consigo me afastar de mim
Fico pensando um mar assim tão grande
Caber num mundo tão pequeno assim
terça-feira, abril 10, 2012
http://ateiadesofia.blogspot.com.br/2009/09/momento-poemetico-profano.html

Pedagogia profana é uma obra que deve ser lida por educadores, professores, pedagogos, pais e qualquer pessoa envolvida de alguma forma com a prática educativa, que transcende o ato de ensinar o que já está previsto, como se não houvesse espaço para questionamentos. A questão que fica é: como o estudante poderá ter lugar nesse espaço no qual tudo já está escrito, previsto e dito? Larrosa entende que o estudante diante desta rigidez não tem chance de perder-se. E é aí, na possibilidade de um novo olhar não previsto que acontece o ato de estudar. Para Larrosa, “a educação moderna é a tarefa do homem que faz, que projeta, que intervém, que toma a iniciativa, que encontra seu destino na fabricação de um produto, na realização de uma obra”. O autor dedica, ainda, um espaço para refletir sobre o riso e a formação do pensamento, além de lançar olhares sobre a infância.
domingo, 27 de setembro de 2009
Pedagogia Profana: Jorge Larrosa

Neste
livro, Jorge Larrosa aponta na direção de uma outra forma de pensar e
de escrever a pedagogia. “Uma forma em que as respostas não sigam às
perguntas, o saber não siga à dúvida, o repouso não siga à inquietude e
as soluções não sigam os problemas”. O autor desconstrói idéias sobre a
pedagogia. “Os textos aspiram a ser indisciplinados, inseguros e
impróprios porque pretendem situar-se à margem da arrogância e da
impessoalidade da pedagogia dominante, fora dos tópicos morais com os
quais se configura a boa consciência, fora do controle que as regras do
discurso pedagógico instituído exercem sobre o que se pode e não se pode
dizer”.
Pedagogia profana é uma obra que deve ser lida por educadores, professores, pedagogos, pais e qualquer pessoa envolvida de alguma forma com a prática educativa, que transcende o ato de ensinar o que já está previsto, como se não houvesse espaço para questionamentos. A questão que fica é: como o estudante poderá ter lugar nesse espaço no qual tudo já está escrito, previsto e dito? Larrosa entende que o estudante diante desta rigidez não tem chance de perder-se. E é aí, na possibilidade de um novo olhar não previsto que acontece o ato de estudar. Para Larrosa, “a educação moderna é a tarefa do homem que faz, que projeta, que intervém, que toma a iniciativa, que encontra seu destino na fabricação de um produto, na realização de uma obra”. O autor dedica, ainda, um espaço para refletir sobre o riso e a formação do pensamento, além de lançar olhares sobre a infância.
quinta-feira, março 01, 2012
Hermélio José
Hermélio José despediu-se. Finalmente se viu livre do corpo que honrou até aqui, e que gerou as experiências de uma vida voltada para o bem. Fica pra nós o exemplo, a força de seus atos, compromissos fraternos.
Filho, irmão, esposo e pai, primo e amigo, zeloso, cidadão ético e dedicado, esteve, ao seu jeito, às vezes de forma brava ou impaciente, sempre a favor dos mais humildes. Quem o conheceu sabe o quanto o indignava a injustiça, e que a simplicidade era seu signo.
Da minha parte, fica a admiração pelo irmão sempre à disposição para o auxílio, com o olhar meigo e atento.
Foi impressionante a dignidade de sua morte, suportando por um longo período, como um Iogue, os incômodos de uma doença implacável. Presenciei sua busca e anseios por uma compreensão espiritual das razões e da essência de sua experiência final. Segredou-me seu desejo de ter mais tempo para adquirir uma compreensão mais elevada. Esse tempo lhe será concedido numa outra lógica, estou convicto disto.
Vai com Deus, meu irmão. A morte do corpo não mata a vida da Alma nem da consciência. Num plano diferente deste mundo material te aguardam novas tarefas e irmãos muito amados para auxiliá-lo. Sua partida não rompe os nossos laços de amor.
Esteja em paz e prossiga rumo ao Cristo Cósmico, nossa única razão de vida.
Carlos Wagner
Segue o comentário da Roberta. De tão lindo, ganhou status de postagem em sequência...
Roberta Lins disse...
Filho, irmão, esposo e pai, primo e amigo, zeloso, cidadão ético e dedicado, esteve, ao seu jeito, às vezes de forma brava ou impaciente, sempre a favor dos mais humildes. Quem o conheceu sabe o quanto o indignava a injustiça, e que a simplicidade era seu signo.
Da minha parte, fica a admiração pelo irmão sempre à disposição para o auxílio, com o olhar meigo e atento.
Foi impressionante a dignidade de sua morte, suportando por um longo período, como um Iogue, os incômodos de uma doença implacável. Presenciei sua busca e anseios por uma compreensão espiritual das razões e da essência de sua experiência final. Segredou-me seu desejo de ter mais tempo para adquirir uma compreensão mais elevada. Esse tempo lhe será concedido numa outra lógica, estou convicto disto.
Vai com Deus, meu irmão. A morte do corpo não mata a vida da Alma nem da consciência. Num plano diferente deste mundo material te aguardam novas tarefas e irmãos muito amados para auxiliá-lo. Sua partida não rompe os nossos laços de amor.
Esteja em paz e prossiga rumo ao Cristo Cósmico, nossa única razão de vida.
Carlos Wagner
Segue o comentário da Roberta. De tão lindo, ganhou status de postagem em sequência...
A viagem do Zé Piano.
Olá família Campos!!!!!!
Sou uma das primas de vocês.
- Quem?
- Filha da Sonia Lúcia e do Bebeto.
- Ahhh...
- Qual das duas??
- A Fisioterapeuta.
- Ahhhh, a que atendeu o Zé??
- Esta mesmo.
- E a outra??/ Faz o que mesmo?
- A minha irmã? Sua prima também? É advogada.
- Ah é....e tem o Marcus Vinicius, ne?
- Tem sim, meu irmão. Marcus Vinicius.
- Hahhhh.
...................................
Dia 29 de fevereiro de 2012.
Pego o telefone e ligo pra minha mãe (Sonia Lúcia Campos Lins). Ela chora muito e quase não consegue falar. Parece uma criança.
- Mãe, não chora. Ele estava cansado de tantas limitações. Já cumpriu o seu caminho aqui....agora vai ficar saudável de novo.
- E minha mãe aos prantos: mas ele é meu primo amado. Somos como irmãos.... Quem vai me chamar de Lili Grande????? Todos os que eu amo estão morrendo.....
- E eu: mãe, em que você acredita? Acha mesmo que ele acabou?
- E ela aos prantos: não!! Mas não posso mais trocar e-mails com ele, receber suas cartas e nem conversar com ele mais.
...................................
Este preambulo é para justificar minha mensagem aqui, no blog da família, em memória ao amado Zé Piano.
...................................
E pra dizer que o tempo é curto demais....,
é pouco, principalmente quando esta passando.
Para dizer que o tempo nunca cabe todos os nossos sonhos e expectativas. Não cabe tudo o que gostaríamos de ter feito, visto ou dito. Não cabe nem o que já ficou para trás.
Tenho começado a sentir o tempo agora. E ele tem deixado marcas inexoráveis.
Minha pele é prova disso.
As perdas têm ficado mais frequentes e mais reais, talvez para lembrar o que realmente importa.
Lembro que quando era criança, uma das maiores perdas que lembro foi a de um primo. Lindo, jovem, saudável. Chegava a nossa casa sempre de bicicleta para jogar xadrez com meu pai. O que me lembro dele (já não sei mais se é verdade ou foi o tempo que o desenhou assim para mim) é que ele parecia com as imagens católicas de Jesus Cristo, com os cabelos longos e a pele dourada.
Rogério era o seu nome.
Agora vou falar do Hermélio José.
Zé Piano, para mim e meus irmãos.
Aquele primo lindo, enorme, inteligente....que ia a nossa casa quando éramos crianças e batia papo com meu pai e minha mãe.
Brincava com a gente.
Entrava em nosso quarto e arrancava no colo minha irmã que se escondia dentro do armário, Raquel, a advogada, que tem dois filhos lindos (Felipe e Daniel e é casada com o Marcelo).
E quando íamos a casa do Tio Hermélio e da Tia Anália, casa que achávamos que era mágica....pois a achávamos enorme, cheia de plantas, sempre cheia de gente bonita, de música, de livros, de vozes, de luz...
Era também a casa do Ze Piano. Onde, aliás, tinha um piano que ele tocava para nós e por isso a alcunha.
É.... a vida é curta. Parece ontem....
E mais uma lembrança doce:
adoro animais. E por isso, na minha infância tive vários deles: cães, gatos, passarinhos, peixes, papagaios, tartarugas. Aquelas tartaruguinha pequeninas que cabem na mão.
Minha mãe sempre me dava um casal e quando elas morriam, minha mãe repunha. Mas eu sempre sabia. Afinal, eram as minhas tartarugas. E como eram um casal, sempre tinham o mesmo nome. O nome do casal mais perfeito: Patrícia e Zé, Zé Piano.
E nem sei se eles sabiam disso.....
Fica então registrada ao Zé Piano e pelo Zé Piano, minha admiração e meu amor.
Gostaria de ter estado mais perto. De ter convivido mais....
Achei que ainda dava tempo.
Ainda assim, acho que ele é uma das pessoas mais interessantes que já conheci. Com sua generosidade, o coração cheio de amor a boca cheia de palavrões.
“Boa terra em teus pés, água o bastante em sua semente, bom vento para o teu sopro, fogo em teu coração e muito amor em teu ser.” (J.Y.Leloup)
Roberta Lins
Olá família Campos!!!!!!
Sou uma das primas de vocês.
- Quem?
- Filha da Sonia Lúcia e do Bebeto.
- Ahhh...
- Qual das duas??
- A Fisioterapeuta.
- Ahhhh, a que atendeu o Zé??
- Esta mesmo.
- E a outra??/ Faz o que mesmo?
- A minha irmã? Sua prima também? É advogada.
- Ah é....e tem o Marcus Vinicius, ne?
- Tem sim, meu irmão. Marcus Vinicius.
- Hahhhh.
...................................
Dia 29 de fevereiro de 2012.
Pego o telefone e ligo pra minha mãe (Sonia Lúcia Campos Lins). Ela chora muito e quase não consegue falar. Parece uma criança.
- Mãe, não chora. Ele estava cansado de tantas limitações. Já cumpriu o seu caminho aqui....agora vai ficar saudável de novo.
- E minha mãe aos prantos: mas ele é meu primo amado. Somos como irmãos.... Quem vai me chamar de Lili Grande????? Todos os que eu amo estão morrendo.....
- E eu: mãe, em que você acredita? Acha mesmo que ele acabou?
- E ela aos prantos: não!! Mas não posso mais trocar e-mails com ele, receber suas cartas e nem conversar com ele mais.
...................................
Este preambulo é para justificar minha mensagem aqui, no blog da família, em memória ao amado Zé Piano.
...................................
E pra dizer que o tempo é curto demais....,
é pouco, principalmente quando esta passando.
Para dizer que o tempo nunca cabe todos os nossos sonhos e expectativas. Não cabe tudo o que gostaríamos de ter feito, visto ou dito. Não cabe nem o que já ficou para trás.
Tenho começado a sentir o tempo agora. E ele tem deixado marcas inexoráveis.
Minha pele é prova disso.
As perdas têm ficado mais frequentes e mais reais, talvez para lembrar o que realmente importa.
Lembro que quando era criança, uma das maiores perdas que lembro foi a de um primo. Lindo, jovem, saudável. Chegava a nossa casa sempre de bicicleta para jogar xadrez com meu pai. O que me lembro dele (já não sei mais se é verdade ou foi o tempo que o desenhou assim para mim) é que ele parecia com as imagens católicas de Jesus Cristo, com os cabelos longos e a pele dourada.
Rogério era o seu nome.
Agora vou falar do Hermélio José.
Zé Piano, para mim e meus irmãos.
Aquele primo lindo, enorme, inteligente....que ia a nossa casa quando éramos crianças e batia papo com meu pai e minha mãe.
Brincava com a gente.
Entrava em nosso quarto e arrancava no colo minha irmã que se escondia dentro do armário, Raquel, a advogada, que tem dois filhos lindos (Felipe e Daniel e é casada com o Marcelo).
E quando íamos a casa do Tio Hermélio e da Tia Anália, casa que achávamos que era mágica....pois a achávamos enorme, cheia de plantas, sempre cheia de gente bonita, de música, de livros, de vozes, de luz...
Era também a casa do Ze Piano. Onde, aliás, tinha um piano que ele tocava para nós e por isso a alcunha.
É.... a vida é curta. Parece ontem....
E mais uma lembrança doce:
adoro animais. E por isso, na minha infância tive vários deles: cães, gatos, passarinhos, peixes, papagaios, tartarugas. Aquelas tartaruguinha pequeninas que cabem na mão.
Minha mãe sempre me dava um casal e quando elas morriam, minha mãe repunha. Mas eu sempre sabia. Afinal, eram as minhas tartarugas. E como eram um casal, sempre tinham o mesmo nome. O nome do casal mais perfeito: Patrícia e Zé, Zé Piano.
E nem sei se eles sabiam disso.....
Fica então registrada ao Zé Piano e pelo Zé Piano, minha admiração e meu amor.
Gostaria de ter estado mais perto. De ter convivido mais....
Achei que ainda dava tempo.
Ainda assim, acho que ele é uma das pessoas mais interessantes que já conheci. Com sua generosidade, o coração cheio de amor a boca cheia de palavrões.
“Boa terra em teus pés, água o bastante em sua semente, bom vento para o teu sopro, fogo em teu coração e muito amor em teu ser.” (J.Y.Leloup)
Roberta Lins
sábado, fevereiro 18, 2012
Com Texto Livre: A Espanha e o princípio da reciprocidade
Com Texto Livre: A Espanha e o princípio da reciprocidade: Se, conforme o personagem de Guimarães Rosa, cada um de nós tem os seus seis meses, com as sociedades nacionais ocorre a mesma coisa. Em tem...
terça-feira, fevereiro 07, 2012
Ao vento
Ao vento...
Carlos Wagner07/02/2012
Dispersos sentimentos eivados de pensamentos,
rotulados de sofrer,
sem formas definidas, onde o medo e a expectativa me atropelam sem trégua, me difucultam ver.
Achado em vigília, me descubro impotente,
descontente, frente a frente com o real.
Dispersos,
reticentes e incômodos,
sentimentos que desejam luz.
Eu também!
Carlos Wagner
Carlos Wagner07/02/2012
Dispersos sentimentos eivados de pensamentos,
rotulados de sofrer,
sem formas definidas, onde o medo e a expectativa me atropelam sem trégua, me difucultam ver.
Achado em vigília, me descubro impotente,
descontente, frente a frente com o real.
Dispersos,
reticentes e incômodos,
sentimentos que desejam luz.
Eu também!
Carlos Wagner
terça-feira, janeiro 03, 2012
Grande mídia e os reacionários de plantão...
erça-feira, 3 de janeiro de 2012
Ferreira Gullar: Triste fim de um poeta
Ano-Novo, vida velha. Ferreira Gullar foi um baita poeta. O seu "Poema Sujo" é arte das grandes. Foi artista engajado, mas a sua poesia conseguia ir muito além dos clichês bem-intencionados dos revolucionários. Hoje, certamente para ganhar a vida ou sentir-se vivo, escreve "crônicas" na Folha de S.Paulo. O seu primeiro texto de 2012 mostra o grande poeta transformado num cronista de meia pataca destilando lugares-comuns conservadores para felicidade de leitores conformistas que se acham cult ou muito críticos. Um mingau azedo polvilhado de certezas sem amparo dos fatos. Por exemplo: "A América Latina vive hoje, por determinadas razões, a experiência do neopopulismo, que tem como principal protagonista o venezuelano Hugo Chávez. É um regime que se vale da desigualdade social para, com medidas assistencialistas, impor-se diante do povo como seu salvador. Lula seguiu o mesmo caminho, mas, como o Brasil é diferente, não conseguiu o terceiro mandato. A solução foi eleger Dilma para um mandato tampão". Como prova? Apenas o seu ranço.
Nada mais conservador do que um ex-comunista. É a síndrome do ex-fumante ou do ex-drogado, o cara que cria uma fundação para pregar a moral que não viveu. Para ser colunista nos jornalões brasileiros, é preciso, em geral, ser muito conservador ou transferir capital de um bolso para outro, usando a fama de uma atividade como base para o exercício de outra. A direita domina amplamente os chamados espaços de formação de opinião na imprensa. Há jovens que sobem logo ao trono, adotando ideias reacionárias e velhas que, enfim, conquistam novos prêmios, espaços e adulações repetindo fórmulas gastas pela mídia soberana. Ao não buscar um terceiro mandato, Lula frustrou os seus críticos, tirou-lhes - para adotar o atual tom clichê de Ferreira Gullar - o pão da boca e deixou-os por aí a jogar conversa fora. Aquele que foi um poeta maior, de imagens desconcertantes, agora termina suas análises mal-iluminadas com uma frase formalmente constrangedora: "Temo pelo que possa acontecer à Argentina, nas mãos de uma presidente embriagada pelo poder". Pobre poeta, embriagado pela sua mediocridade. Embriagado pela mediocridade do poder da mídia. Enquanto isso, na mesma Folha de S.Paulo, um cronista de ofício, Carlos Heitor Cony, depois de algumas temporadas sentenciosas, faz o caminho inverso: termina de envelhecer bem, disseminando um ceticismo levemente irônico de dar inveja a um Machado de Assis. Assim: "Que venham as tempestades da natureza, contra a qual pouco podemos. Quanto às tempestades provocadas pelos escândalos e pela corrupção da qual estamos fartos, não custa apelar para o fervor de nossas preces". Como cronista, Ferreira Gullar é um Neymar improvisado de lateral. Há quem confunda ter criticado o stalinismo, na época da queda do muro de Berlim e das ditaduras do Leste europeu, com louvação ao capitalismo sem regulação, esse que quebrou a Europa e parte da economia dos Estados Unidos. Pois é, o poeta Ferreira Gullar perdeu-se em corsos, comícios, discursos a granel. Vai ver que é a coincidência do nome com outro maranhense: José Ribamar.
Poderá também g
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sexta-feira, dezembro 30, 2011
"Aquela mulher" e "Formiga"
Aquela mulher (meu bom exemplo)
Cláudia Patrícia
(Para Anália)
(Para Anália)
Aquela mulher tinha sonhos
tinia
querelas com a vida escassa
a engrandecia todo dia
todo dia
não parava
não gemia
Aquela mulher pelejava e curtia
Aquela mulher tinha sonhos
de repente
eu era um desses sonhos.
Como eu poderia, então, deixar de sonhar
viver-arquitetar?
Aquela mulher vive em mim
e muito além de mim.
E mais:
Formiga
Cláudia Patrícia
Ando pelas ruas buscando encontrar a casa onde viveu minha mãe, na esperança de nela enxergar alguma marca do que foi sua passagem por aqui. Uma luz e sua sombra entre paredes, uma rachadura no muro que ela, certamente, um dia tentou remendar, uma letra escrita com um caco de telha, seu rosto atrás da janela...
“Cidade muito boa”, dizia. Nunca concordei totalmente. Sem ela, definitivamente. Busco um banco pra escrever estas linhas. A praça é feia e suja, e o verde dos bancos é apenas tinta sobre concreto. Mesmo entre muitos, quem é daqui reconhece os forasteiros, a quem olham com espanto. Ao menos, eles ainda guardam essa capacidade.
É certo que, se eu pudesse, faria do entorno destes canais um lugar aprazível, como se de uma Amsterdam tropical se tratasse. Como possivelmente foi um dia, com sua bela vegetação ribeirinha, frondosa, natural, agreste... Se eu pudesse, salvaria este rio, faria esta gente ver quão belo ele é, implantaria em sua pele uma vontade, uma mania, um ideal inexorável de cuidar dele e amá-lo, o que seria o mesmo. É claro que manteria os seus pitorescos quiosques pintados de verde à sombra de suas margens, um pouco mais limpos, talvez, e menos pobres de tudo, mas sem que perdessem sua autenticidade e seu charme, e somente para fazer jus ao rio renascido. “Cidade muito boa”, eu mesma diria.
Mas a cidade é porca, as pessoas são porcas, e minha única esperança é de que todo esse descaso e inconsciência não se instalem na mágica Capetinga (Santo Hilário), “muito boa”, sob cujas atuais águas nasceram oito belas mulheres, filhas de Maria (Dona Cota) e João, dentre elas, minha mãe, “muito boa” e cheia de luz!
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poemas outros
sábado, dezembro 24, 2011
Natal
Natal
Tereza Neumam
Fortaleza
Não obstante o homem estar,
No presente, como há eões,
Em peregrinação constante
Entre o passado e o futuro,
Entre o material e o espiritual,
Entre a ilusão do velho e a ilusão do novo,
Entre o sonho do que foi
E o sonho do que será,
Urge que nasça o verdadeiro homem,
E que nele tudo isso transmutado seja!...
Que da exclusão parta para a inclusão,
Que do dividido e da subtração
Em que o eu impera, passe
Para o somatório e a multiplicação
Que somente a Alma gera!
................................................................................................
Não obstante o homem
Estar no presente, como há eões,
Pelas polaridades dividido,
Da eternidade assim subtraído,
Urge que, através de toda a diversidade
Conseguida e tão intensamente revivida,
À unidade chegue em auto-realização;
E para isto, hoje, no Campo, todas
As possibilidades aí estão!
.................................................................................................
Urge que abramos o caminho para isso,
Urge que silenciemos e transmutemos
A diversidade de dentro através do fora,
A diversidade do fora através do dentro;
Urge que assim a unidade partilhemos,
No silenciar de dentro para fora,
No silenciar de fora para dentro;
Urge que do sonho nasça a Realidade,
Que do velho Adão, peregrino até então,
Surja o novo Adão, nasça o novo Homem,
Realidade vivente perante a qual,
Todas as nossas realidades perecem
No esquecimento do não ser!
..................................................................................................
Saudemos, portanto, o nascimento do Novo Homem,
Do filho de Deus, do filho do homem,
De Jesus em nós mesmos,
Para que a Humanidade enfim,
Verdadeiramente também possa fazê-lo!
Que o Natal, possa assim,
Se efetivar em cada um de nós!!!
Jarinu-SP, 19/12/2003
Tereza Neumam
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domingo, dezembro 18, 2011
e-mail de poeta
Juntamente, segue sua poesia, um presente... "Num arranjo arrojado
De tal modo celebrando a nossa madrugada"...lindo também, meu mestre.
Carlos Wagner
18/12/11
Caro Poeta Carlos Wagner,
boa noite,
como a maioria do povo brasileiro eu detesto ler tanto quanto escrever, ser poeta é pior ainda, malditos sejam os poetas e suas rascantes assinaturas que trazem à luz nossos piores pesadelos e nos ensinam a cicatriz, amuleto que batalha em nós, com intenção de morte, aquilo que é morte, não obstante, às vezes me perco em algum poema, enquanto Belo Horizonte não acaba. O que virá a seguir, foi selecionado pela Editora Scortecci, e faz parte da Antologia do II Concurso de Poesias da Revista Literária. A propósito, bem-aventurada seja a sua Verve quando diz: “...de dar o salto para o novo ovo de uma explosão de nova vida... Então descambas para a espera nervosa, nervosos lábios aos gritos lançando-se aos ritos, mitos, mil tons”, já valeria a leitura de tão inteligente e charmosa poesia que vc intitulou “A Hora Do Agora”, mandou bem, recomendo aos brasileiros e brasileiras.
boa noite,
como a maioria do povo brasileiro eu detesto ler tanto quanto escrever, ser poeta é pior ainda, malditos sejam os poetas e suas rascantes assinaturas que trazem à luz nossos piores pesadelos e nos ensinam a cicatriz, amuleto que batalha em nós, com intenção de morte, aquilo que é morte, não obstante, às vezes me perco em algum poema, enquanto Belo Horizonte não acaba. O que virá a seguir, foi selecionado pela Editora Scortecci, e faz parte da Antologia do II Concurso de Poesias da Revista Literária. A propósito, bem-aventurada seja a sua Verve quando diz: “...de dar o salto para o novo ovo de uma explosão de nova vida... Então descambas para a espera nervosa, nervosos lábios aos gritos lançando-se aos ritos, mitos, mil tons”, já valeria a leitura de tão inteligente e charmosa poesia que vc intitulou “A Hora Do Agora”, mandou bem, recomendo aos brasileiros e brasileiras.
Nesta hora, declino o meu Blues, conforme entendimento numa fria encruzilhada perto da não menos fria Ouro Preto, de hum menor poeta ao poeta maior:
MERA MADRUGADA
Kallil
Kallil
Ontem
Desde hoje de manhã até ontem de madrugada
Eu me buscarei perdido em teus delírios
E mais perdido ainda quando por fim olvidar
Um coração batendo coração com coração
Madrugada adentro
Quando enfim chegar ontem finalmente
Antevejo um bouquet garni vinhos violinos flores tintas flautas agridoces
Brotos de bambu e um punhado de arroz no grão acolhedor das mãos
O tapete persa reencarnado aqui e ali como se fosse aqui e ali
Ao som de cítaras indianas e pandeiros ciganos
Num arranjo arrojado
De tal modo celebrando a nossa madrugada
E
De repente bem menos que de repente
Um sol inverso brilhará outrora com toda aurora que lhe resta
Única chama acima embaixo e ao derredor
Nosso amor de madrugada
Oh
Doce amada diamante negro bendita brasileira
Quando afinal ontem vier
De algum déja vu chegar
Misturando a minha carne fraca à sua palavra fêmea
Rasgada poesia que eu trago apensa ao peito
Ontem de madrugada
Eu morrerei de amor
Wellington Kallil
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Todos novos em Capetinga
Olha aí o pessoal lá de antes...
O lobo da estepe - Hermann Hesse
- O lobo da estepe define minha personalidade de buscador






E mais, do Célio Humberto Vasconcelos, essa poesia...
Obrigado Célio