Nas veredas de morfeu
Em sonho se revelouexigência de difícil compreensão
onde uma voz murmurou
e perplexo ouvi sonolento:
- Procure abrir a porta
da esfera sem chave
mistério, vestes sem costuras
pra onde não se vê
aberturas ou passagens
- Procura a luz nas sombras
apura sua destreza
encontre a chave da entrada certeira
Alguém ali te espera
durante a dura noite
ante processo lento de vir o dia
e todo dia perfaz e desfaz a quimera
- rola a pedra, a esfera
descansa em breve recesso
descortina-se o buraco no tempo
três partes, três paredes
das três dimensões
oblíquas
retas e rotas, choques e acessos
roupas rotas em excesso
Que se diga ao nexo:
nada entendo!
só vejo locações
sem anexos, corredores
plexos de conexões
amplas salas como abraços frios
O medo se impõe em mim
e abre, com improvável chave
a esfera que faz descer
de cima abaixo, cordas
caindo, descendo, se oferecendo
quebrando a máscara arcaica
de me ser eu
de encontro ao chão áspero e velho
meu background, my underground
Adormecido no colchão da espera áspera
quase acordado de há muito
até a véspera do romper
a alegria do sol
a marca solitária do tempo
- Rei desse mundo caótico -
rumo a ser alma livre do kronos
O tempo cura a dura dor pura
apura o viver,
cria olhos de ver
colhe o vir a ser
o prometido vínculo
fora da caixa de akasha
a memória inexpugnável
história de tudo
de todos nós
e da rede perfeita que conecta
onde começa a pesca maravilhosa
pois revela tudo
o sentido único e coerente
o fim da dor inútil
mas precisa e correta
pois tudo, descubro perplexo
tem nexo, tem eixo
tem fim e finalidade
Mas ninguém sabia
só o coração que me acordou
descompassado, mas meu amigo!

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