segunda-feira, julho 06, 2026

Nas veredas de Morfeu

 


Nas veredas de morfeu
Carlos Wagner

Em sonho se revelouexigência de difícil compreensão

onde uma voz murmurou

e perplexo ouvi sonolento:

- Procure abrir a porta

da esfera sem chave

mistério, vestes sem costuras

pra onde não se vê

aberturas ou passagens


- Procura a luz nas sombras

apura sua destreza

encontre a chave da entrada certeira

Alguém ali te espera

durante a dura noite

ante processo lento de vir o dia

e todo dia perfaz e desfaz a quimera

- rola a pedra, a esfera

descansa em breve recesso

descortina-se o buraco no tempo

três partes, três paredes

das três dimensões

oblíquas

retas e rotas, choques e acessos

roupas rotas em excesso

Que se diga ao nexo:

nada entendo!

só vejo locações

sem anexos, corredores

plexos de conexões

amplas salas como abraços frios

O medo se impõe em mim

e abre, com improvável chave

a esfera que faz descer

de cima abaixo, cordas

caindo, descendo, se oferecendo

quebrando a máscara arcaica

de me ser eu

de encontro ao chão áspero e velho

meu background, my underground

Adormecido no colchão da espera áspera

quase acordado de há muito

até a véspera do romper

a alegria do sol

a marca solitária do tempo

- Rei desse mundo caótico -

rumo a ser alma livre do kronos

O tempo cura a dura dor pura

apura o viver,

cria olhos de ver

colhe o vir a ser

o prometido vínculo

fora da caixa de akasha

a memória inexpugnável

história de tudo

de todos nós

e da rede perfeita que conecta

onde começa a pesca maravilhosa

pois revela tudo

o sentido único e coerente

o fim da dor inútil

mas precisa e correta

pois tudo, descubro perplexo

tem nexo, tem eixo

tem fim e finalidade

Mas ninguém sabia

só o coração que me acordou

descompassado, mas meu amigo!

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